quarta-feira, 20 de julho de 2016

Lição 4, O Trabalho e Atributos do Ganhador de Almas Comentários extras

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Atos 8.26-40
26 - E o anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: Levanta-te e vai para a banda do Sul, ao caminho que desce de Jerusalém para Gaza, que está deserto. 27 - E levantou-se e foi. E eis que um homem etíope, eunuco, mordomo-mor de Candace, rainha dos etíopes, o qual era superintendente de todos os seus tesouros e tinha ido a Jerusalém para adoração, 28 - regressava e, assentado no seu carro, lia o profeta Isaías. 29 - E disse o ESPÍRITO a Filipe: Chega-te e ajunta-te a esse carro. 30 - E, correndo Filipe, ouviu que lia o profeta Isaías e disse: Entendes tu o que lês? 31 - E ele disse: Como poderei entender, se alguém me não ensinar? E rogou a Filipe que subisse e com ele se assentasse. 32 - E o lugar da Escritura que lia era este: Foi levado como a ovelha para o matadouro; e, como está mudo o cordeiro diante do que o tosquia, assim não abriu a sua boca.33 - Na sua humilhação, foi tirado o seu julgamento; e quem contará a sua geração? Porque a sua vida é tirada da terra. 34 - E, respondendo o eunuco a Filipe, disse: Rogo-te, de quem diz isto o profeta? De si mesmo ou de algum outro? 35 - Então, Filipe, abrindo a boca e começando nesta Escritura, lhe anunciou a JESUS. 36 - E, indo eles caminhando, chegaram ao pé de alguma água, e disse o eunuco: Eis aqui água; que impede que eu seja batizado? 37 - E disse Filipe: É lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que JESUS CRISTO é o Filho de DEUS. 38 - E mandou parar o carro, e desceram ambos à água, tanto Filipe como o eunuco, e o batizou. 39 - E, quando saíram da água, o ESPÍRITO do Senhor arrebatou a Filipe, e não o viu mais o eunuco; e, jubiloso, continuou o seu caminho. 40 - E Filipe se achou em Azoto e, indo passando, anunciava o evangelho em todas as cidades, até que chegou a Cesareia.
 
Espada Cortante - Atos: o Evangelho do ESPÍRITO SANTO - Orlando S. Boyer - CPAD
8.4 “Mas os que andavam dispersos iam por toda parte anunciando a palavra.5 “E, descendo Filipe àcidade de Samaria, lhes pregava a CRISTO. 6 “E as multidõs unanimemente prestavam atençã ao que Filipe dizia, porque ouviam e viam os sinais que ele fazia,
Iam por toda a parte, anunciando a palavra (v.4): Obedeciam à ordem do seu Mestre: “Quando pois vos perseguirem nesta cidade, fugi para outra”, Mt 10.23. Muitos crentes pensam foram os apótolos que foram dispersos e que iam por toda parte proclamando a Palavra. Mas os apótolos nã foram dispersos, v.l. Foram, portanto, todos os discíulos, os leigos, que anunciaram a Mensagem em toda parte. Qualquer crente, por mais humilde que seja, pode pregar, isso é anunciar a Mensagem de JESUS. O ministéio da Palavra nã éprivativo ao púpito. Naturalmente os membros da Igreja Primitiva, tinham de sofrer muito desprezo em todo lugar onde chegassem, pela razã de terem sido expulsos dejerusalé. Mas, os fiés, com o coraçã ardendo, testificam em qualquer situaçã. O maravilhoso crescimento da Igreja Primitiva nã foi fruto da obra de grandes pregadores, mas de fidelidade de todos os membros em testificarem, cheios do ESPÍRITO SANTO, para todas as pessoas a seu alcance. Descendo Filipe à cidade de Samaria (v.5): Este não era Filipe, o apóstolo (cap. 1.13), mas Filipe, diácono, escolhido ao lado de Estêvão, cap. 6.5. Filipe, naturalmente, tinha de fugir para escapar com a vida, quando Estêvão foi morto. Filipe foi conhecido depois como “Filipe, o evangelista” (cap. 21.8), servindo como boa ilustração das palavras de Paulo: “Os que servirem bem como diáonos, adquirirão para si uma boa posiçã, e muita confianç na féque háem cristo JESUS”, 1 Tm 3.13.
A cidade de Samaria (v.5): A antiga capital das doze tribos, mas reformada e adornada por Herodes, o Grande. Filipe... lhes pregava a CRISTO (v.5): Qual é o assunto principal do púlpito moderno? E ciência, filosofia, história, boas obras? Exaltamos cristo, como Filipe, ou a nós mesmos, como Simão? Salientamos aquilo que CRISTO faz ou o que nós fazemos? Proclamar a Sua morte e ressurreição, ou pregamos um legalismo - o que devemos e não devemos fazer? (Lede 1 Co 2.1-5). A pregação que é de lei é só negativa (contra), e mata. Mas a pregação positiva, no poder do ESPÍRITO, produz vida. (Vede vers. 5 a 8). Se colocarmos CRISTO no Seu próprio lugar, toda a doutrina e toda a obra sempre se endireita mesmo como os planetas, todos continuam na sua própria posição, pela influência do sol. E enquanto existe o sol, os planetas não se podem desviar de suas próprias órbitas. Um sistema de doutrinas mortas não evita o desvio dos membros da igreja. Filipe não discutia com Simão, mas pregava a CRISTO. Os judeus não se comunicavam com os samaritanos (João 4.9), mas os membros da Igreja Primitiva amavam, em vez de desprezar, as pessoas de outras raças ou de outras nações. E as multidões unanimemente... (w.6-8): A narrativa faz lembrar tanto o ministério de JESUS como o que Ele predissera: “Aquele que crêem mim també faráas obras que eu faç, e as farámaiores do que estas, porque eu vou para meu Pai”, Joã 14.12. Lembremo-nos, també, que o maravilhoso êito de Filipe foi em um campo dificíimo. Simã, o mago, ganhara os ouvidos de todo o povo; “ao qual todos (9 ESPÍRITO SANTO na conversão: os samaritanos e o eunuco atendiam, desde o mais pequeno até o maior dizendo: Este é a grande virtude de DEUS”, v.10.Havia grande alegria naquela cidade (v.8): Se pudéssemos entrar em todas as casas de nossa cidade onde há um pai subjugado pela embriaguez, um filho tomado pelo vício, uma filha mundana, uma mãe chorando e inconsolável e levar a todos a conhecerem e amarem ajesus como Salvador, quão grande seria o gozo da cidade! A Mensagem de CRISTO é a mais alegre e produz mais felicidade que todas as religiões do mundo. (Compare cap. 8.39). Quanto mais estamos cheios de CRISTO, tanto mais alegres estamos. Tinha iludido agente de Samaria (v.9): Simão tinha iludido não somente a cidade de Samaria, mas de todo o território dos samaritanos. Mas, como cressem... (v. 12): Satanás tem poder, mas Aquele que está no crente é maior que aquele que está no mundo, 1 João 4.4. Mesmo como os magos do Egito tinham de confessar que o poder em Moisés era maior (Ex 8.16-18), assim o poder de DEUS manifesto em Filipe era maior que o poder do maligno em Simão. Creu até o próprio Simão (v.13): Não foi apenas o parecer de Filipe, mas é declaração das Escrituras que Simão creu. Deve-se, portanto, interpretar a narrativa dos w.18-24 na luz deste fato. “E, sendo batizado”, batizou-se para andar em novidade de vida, Rm 6.4. Isso fez, ficando de contínuo com Filipe. Pedro e João (v. 14): Os dois inseparáveis apóstolos. (Vede o comentário sobre o cap. 3.1). Enviaram para lá Pedro (v. 14): Toda a idéia do papado está refutada com este versículo. O papa envia, mas nunca é enviado. Lede, também, o comentário sobre cap. 15.2. Enviaram para lá Pedro e João (v. 14): E evidente que Filipe não tinha o ministério de conduzir os convertidos até o ponto de receberem o batismo com o ESPÍRITO SANTO. Ainda mais, a nova obra carecia de sábia direção para guardá-la de fanatismo e engano. A Igreja Primitiva não ficava satisfeita com a gloriosa e grande obra em Samaria enquanto os convertidos não recebessem o batismo no ESPÍRITO SANTO. (Compare cap. 19.2). O batismo no ESPÍRITO SANTO é uma bênção tão definida como a de receber o perdão de pecados. O batismo no ESPÍRITO SANTO é tão indispensável para servir na Igreja de CRISTO como é receber CRISTO para a salvação. Recebemos o ESPÍRITO SANTO (v. 17): Alguns comentadores chamam a atenção ao fato de não declarar esta passagem que falaram em língua. Mas como foi que se sabia que os samaritanos não foram batizados no ESPÍRITO antes da chegada de Pedro e João, e como chegaram a saber que foram depois de receber o ESPÍRITO? Não foi com o mesmo sinal exterior, como na casa de Comélio? (Lede cap. 10.45,46). Simão... ofereceu dinheiro... (w.19,20): Simão foi tentado no ponto, para ele, mais vulnerável, o de ganhar dinheiro por meio de maravilhas feitas diante das multidões. A palavra “simonia” originou-se com esse pecado de Simã, e quer dizer: Interesse prório dos que se esforçm para ganhar lucro por meio da obra de CRISTO. Nã sã somente os descrentes, como alguns comentadores julgam Simã, mas sã, també, muitos dos prórios crentes que fracassam quando tê de enfrentar essa tentaçã insidiosa. Mas disse-lhe Pedro (v.20): Era impossível corromper, com peitas, esse rústico pescador, aquele que dissera: “Nã tenho prata nem ouro”, cap. 3.6. O ESPÍRITO é domínio do pecado a que ficava obrigado a se submeter depois de ceder à tentação. Em muitas aldeias dos samaritanos anunciaram o evangelho (v.25): Grande é o poder do ESPÍRITO SANTO para transformar a vida dos crentes, como se vê no caso dejoão. Este “Filho do Trovã” (Mc 3.17) antes queria chamar fogo dos cés para consumir os samaritanos. Mas depois de seu batismo no ESPÍRITO anunciava-lhes a gloriosanova de perdã de seus pecados, pela Palavra de DEUS.
III. A CONVERSÃO DO EUNUCO, 8.26-40 __
Não há narrativa de conversão mais cativante do que esta do Eunuco, o mordorruMnor, secretário da tesouraria de Candace, rainha dos etíopes. Como se diz acerca dos ricos, é igualmente a verdade acerca dos altos funcionários do governo: E difiál entrar um estadista no reino de DEUS. (Vede Mt 19.23).
8.26 “E o anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: Levanta-te e vai para a banda do Sul, ao caminho que desce de Jerusalé para Gaza, que estádeserto. 27 “E levantou-se e foi. E eis que um homem etípe, eunuco, mordomo-mor de Candace, rainha dos etípes, o qual era superintendente de todos os seus tesouros e tinha ido ajerusalé para adoração, 28 “regressava e, assentado no seu carro, lia o profeta Isaís. 29 “E disse o ESPÍRITO a Filipe: Chega-te e ajunta-te a esse carro. 30 “E, correndo Filipe, ouviu que lia o profeta Isaís e disse: Entendes tu o que lê? 31 “E ele disse: Como poderei entender, se algué me nã ensinar? E rogou
a Filipe que subisse e com ele se assentasse. 32 “E o lugar da Escritura que lia era este: Foi levado como a ovelha para o matadouro; e, como estámudo o cordeiro diante do que o tosquia, assim não abriu a sua boca. 33 “Na sua humilhaçã, foi tirado o seu julgamento; e quem contaráa sua geraçã? Porque a sua vida étirada da terra. 34 “E, respondendo o eunuco a Filipe, disse: Rogo-te, de quem diz isto o profeta? De si mesmo ou de algum outro? 35 “Entã, Filipe, abrindo a boca e começndo nesta Escritura, lhe anunciou a JESUS.  36 “E, indo eles caminhando, chegaram ao péde alguma áua, e disse o eunuco: Eis aqui áua; que impede que eu seja batizado? 37 “E disse Filipe: Élíito, se crê de todo o coraçã. E, respondendo ele, disse: Creio que JESUS CRISTO éo Filho de DEUS. 38 “E mandou parar o carro, e desceram ambos àáua, tanto Filipe como o eunuco, e o batizou. 39 “E, quando saíam da áua, o ESPÍRITO do Senhor arrebatou a Filipe, e não o viu mais o eunuco; e, jubiloso, continuou o seu caminho. 40 “E Filipe se achou em Azoto e, indo passando, anunciava o evangelho em todas as cidades, atéque chegou a Cesaréa. O anjo do Senhorfalou a Filipe (v.26): Os anjos continuavam seu glorioso ministério em favor dos herdeiros da salvação, Hb 1.14; Atos 5.19; 10.3; 12.10; 23.8. Ao caminho que desce de Jerusalém para Gaza (v.26): Gaza era uma das cinco capitais dos filisteus, na estrada principal da Mesopotâmia ao Egito. Que está deserta (v.26): DEUS usava Filipe para promover um vibrante avivamento em Samaria. Enormes multidões afluíam para ouvir a Mensagem. Os espíritos imundos saíam dos endemoninhados, clamando em alta voz. Os paralíticos e coxos eram curados. Batizavam-se tanto homens e mulheres. Mas certo dia, no meio dessa abundante colheita de almas, um anjo do Senhor mandou que Filipe fosse a um lugar deserto. Levantou-se, e foi (v.27): Filipe, sem vacilar, obedeceu, deixando o glorioso avivamento e fazendo a viagem de cerca de noventa quilômetros. Como Abraão, “sendo chamado, obedeceu... e saiu, sem saber para onde ia”, Hb 11.8. Quando CRISTO fica impedido na Sua obra de salvar os perdidos, é porque um “Filipe” não quer ir, e desobedece. Observe-se, contudo, como Filipe, ao obedecer a ordem de abandonar o avivamento e partir para um lugar deserto, foi em companhia dos anjos, v.29. E cheio do ESPÍRITO SANTO, nã podia andar triste. DEUS cuidou tã bem dele como quando ministrava na cidade. Nã foi honrado tanto emjerusalé, nem em Samaria, sendo convidado a subir e andar com um alto oficial do governo no seu carro. Quando Elias foi enviado para o deserto, no tempo da seca, o Senhor mandou corvos alimentáo. Quando Israel andou no deserto quarenta anos, DEUS mandou o maná Quando a multidã seguiu a JESUS para o deserto, Ele a alimentou. Atémesmo o Mestre, impelido pela tentaçã no deserto, foi servido pelos anjos. O crente no deserto, dirigido, lá por DEUS, serácertamente sustentado pela provisã divina. Eis que um homem etíope... (v.27): O nome “etípe”, encontra-se no Novo Testamento somente neste versíulo. Menciona-se o paí quarenta vezes no Velho Testamento. Em Gn 2.13 refere-se àregiã perto do Eufrates, na Áia. Nas outras passagens refere-se a um territóio grande ao sul do Egito, agora chamado o Sudã. A palavra “etióia” quer dizer, “rosto torrado”, isto é pelo sol. Os etípes eram morenos mas nã negros. A gloriosa profecia acerca de a Etióia estender para DEUS as suas mãs (SI 68.31) tinha cumprimento parcial na salvaçã do Eunuco etípe. A Etióia nã foi representada entre os povos que assistiam ao grande culto de evangelizaçã no dia de Pentecostes, mas DEUS nã se esqueceu dela, enviando Filipe com o Evangelho para o Eunuco. O Senhor JESUS, trabalhando no cé, por meio do ESPÍRITO SANTO na terra, viu a Etióia implorando com as mãs estendidas. Sim, foi Ele que mandou o evangelista ao eunuco para que esse, ao seu turno, levasse a Mensagem para seu povo. “Óprofundidade das riquezas, da sabedoria e da ciêcia de DEUS!” E evidente que a profecia acerca de estender a Etióia para DEUS suas mãs, ainda vai ter pleno cumprimento. (Lede SI 87.4). eunuco (v.27): Foi vedada aos eunucos entrada na congregação do Senhor, Dt 23.1. E o eunuco etíope estava sob a maldição de DEUS, Gn 9.25. Contudo, foi a tal homem que o Senhor enviou Seu servo Filipe. (Lede Mt 28.19; Rm 1.16; 2 Pe 3.9; Ap 7.9). Mordomo^mor de Candace, rainha... (v.27): “Candace” era um tíulo, como o tíulo “Faraó”. Todas as rainhas dessa dinastia chamavam-se Candace e reinavam em Meroé no rio Nilo. Tinha ido a Jerusalém para adoração (v.27): Não sabemos se este eunuco era um judeu, honrado no estrangeiro como Daniel em Babilônia, ou se era um prosélito do judaísmo. Regressava e, assentado no seu carro, lia o profeta Laias (v. 2 8): O eunuco fizera a longa e árdua viagem da Etiópia ajerusalém “para adoraçã”. Mas voltava sem a sua alma ficar saciada. Fora a Cidade Santa, anelando beber da áua viva, mas voltava ainda com sede. Fora lácom fome pelo pã da vida, mas ainda estava com fome. Assim, assentado no seu carro regressando para seu paí, lia a Bília, buscando paz para seu coraçã. O eunuco era um dos poucos homens que tinham os recursos suficientes para adquirir um exemplar das Escrituras. Antes da invençã do prelo, os judeus guardavam os livros sagrados nas sinagogas. O preç de um exemplar era mais do que o saláio de um trabalhador por um ano inteiro. A úica Bília que a grande maioria possuí era apenas a parte das Escrituras que decoraram e levaram no seu prório coraçã. (SI 119.11). Assim o eunuco era um homem muito fora do comum, pois levava a Palavra de DEUS consigo para a Árica. Estranho que pareç, alguns religiosos baseiam seus argumentos, para condenar o livre exame das Escrituras, sobre o caso de Filipe e o eunuco. Alegam que Filipe nã queria que o eunuco lesse as Escrituras, porque nã compreendia o que lia. Ao contráio, éevidente que o eunuco fez bem em ler as Escrituras. Viajara mais de 1.500 quilôetros da Etióia ajerusalé para satisfazer sua fome espiritual. não encontrou paz para sua alma no formalismo do judaímo. Foi bom que recorresse à Escrituras. Foi o primeiro passo para receber a Mensagem. É exemplo vibrante das bêçãos que vê aos que levam um exemplar das Escrituras, ou um Testamento de algibeira, nas suas viagens. Disse o ESPÍRITO a Filipe: Chega-te, e ajunta-te a esse carro (v.29): Foi então que o ganhador de almas sabia porque o ESPÍRITO SANTO lhe enviara ao deserto. Rica e abençoada é a vida do crente que não somente olha para cima todos os dias, pedindo direção do ESPÍRITO, mas que guarda o coração e os ouvidos sempre abertos durante o dia inteiro para ouvir e obedecer a essa voz. (Lede Rm 8.14). E, correndo Filipe... (v.30): Filipe não corria atrás desse homem rico e eminente para receber algo dele, mas para transmitir-lhe a maior dádiva de todas. O carro passava, Filipe não queria perder a oportunidade e correu com grande gozo para ganhar uma alma. Como poderei entender, se alguém não me ensinar? (v.31): O eunuco era homem inteligente e talentoso. Mas ao confessar sua ignorância é que se descobre sua verdadeira sabedoria. Os que sabem tudo são os ignorantes sem esperança. (Compare a atitude humilde do inteligente Apoio, cap. 18.24-26). Mão abriu a sua boca (v.32): Compare Mt 26.62,63; 27.12; Mc 15.5; Lc 23.9; João 19.9. A escritura que lia... (w .32,33): A citação indica que o eunuco lia a tradução grega, conhecida como a Septuaginta, isto é, a “Versã dos Setenta”, feita de 280 a 130 A.C. Assim háuma variaçã nas palavras entre o que o eunuco lia e o que encontramos em nossas Bílias, em Isaís 53.7,8, traduzido do hebraico. Começando nesta Escritura... (v.35): Filipe nos serve de verdadeiro exemplo em ganhar almas para CRISTO. A primeira qualificação de ganhar almas para CRISTO é a de conservar os ouvidos abertos para ouvir, como Filipe, a voz do ESPÍRITO SANTO, v.29. A segunda qualificação é saber manejar bem a Palavra (2 Tm 2.15) como Filipe fez. Conhecia as Escrituras. Usava as Escrituras para levar almas para a Salvação. Pregava as Escrituras em vez de discutir. Quando perguntavam a certo eminente pregador o que faria se o perdido não aceitasse as Escrituras como autoridade divina, se deixaria de citá-las, o pregador respondeu: “Se eu tivesse uma espada de dois gumes, e feita do melhor aço, não a embainharia somente porque o adversáio nã acreditava que cortava”. Começando nesta Escritura, lhe anunáou a JESUS (v.35): Se na leitura de um capítulo, não encontramos CRISTO, convém-nos lê-lo de novo, porque certamente está lá. JESUS foi a chave necessária para o eunuco entender a Escritura que lia. JESUS é a chave que abre para nós todas as Escrituras. (Compare Lc 24.27,44). Rogo-te, de quem diz isto o profeta? (v.34): O eunuco, apesar de inteligente, estava perplexo quanto ao verdadeiro sentido do capítulo cinqüenta e três de Isaías. Depois de considerar a passagem atentamente não chegara a uma conclusão certa. Alguns mestres ensinam que Isaías falava de si mesmo. Apesar de Isaías ser um fiel servo de DEUS e talvez sofrer martírio, era também um rico, de posição e inteiramente diferente que o humilde sofredor de Isaías 53. Outros ensinam que a passagem se refere a Jeremias, que certamente sofreu mais que os demais profetas. Contudo Jeremias  abriu a boca várias vezes para lamentar a sua sorte, sendo reprovado pelo Senhor, J r 12.5; 20.14-18. O rabis atuais ensinam que o sofredor é o povo judaico, e que apesar de não mais ter o Templo em Jerusalém, DEUS os aceita por meio de seus próprios sofrimentos. Mas a passagem fala de um homem sem pecado e que sofreu, não por si mesmo, nem, por causa de si mesmo, mas como substituto por outros. Se a mente natural acha tanta dificuldades em entender a passagem, não é de admirar que o eunuco africano ficasse perplexo. Contudo o eunuco tinha algumas qualificações no seu favor que muitas pessoas, procurando uma explicação humana, não têm. Ele aceitava instrução, confessava sua ignorância e queria saber. Eis aqui água (v.36): O viajante na estrada em que Filipe e o eunuco andavam tem de atravessar o ribeiro de Elá, o qual Davi atravessou para o encontro com Golias. Não sabemos se o batismo do eunuco foi efetuado em um poço desse ribeiro ou se foi em outro ribeiro mais adiante, agora chamado, Wady el Hasy. Que impede que eu seja batizado (v.36): Quando o pregador prega ‘JESUS”, o ouvinte quer deixar a sua religiã e sua vida velha. E como o eunuco, pede o batismo nas áuas como sinal exterior do que acontecera no ítimo. O ESPÍRITO do Senhor arrebatou a Filipe (v.39): Compare 1 Reis 18.12; 2 Reis 2.16;  Ez 3.12-14. Encontra-se a mesma palavra, “arrebatar” em 2 Co 12.1-4 e em 1 Ts 4.17. Paulo nã sabia se foi arrebatado no corpo ou fora do corpo. Mas Filipe sabia que ele foi arrebatado no corpo, v.40.
Espada Cortante - Atos: o Evangelho do ESPÍRITO SANTO - Orlando S. Boyer - CPAD
 
Atos - Série Cultura Bíblica - I. Howard Marshall - SOCIEDADE RELIGIOSA EDIÇÕES VIDA NOVA e ASSOCIAÇÃO RELIGIOSA EDITORA MUNDO CRISTÃO, Rua Antonio Carlos Taconni, 75 e 79, Cidade Dutra, São Paulo-SP, CEP 04810 (Com algumas modificações do Ev. Luiz Henrique)
O evangelho avança até Samaria (8:4-25).
A dispersão dos cristãos levou ao mais significativo avanço na missão 8 2 / As descobertas arqueológicas em Giv’at ha-Mivtar demonstraram este fato; ver NIDNTT, I, pág. 393; (em port., vol. I, art. Cruz, CL).
8.3 À luz destas claras referências nos seus próprios escritos a atividade que somente podem ter sido realizadas em Jerusalém e nos seus arrebaldes, a declaração de Paulo em G1 1 :22 de que “não era conhecido de vista das igrejas da Judéia, que estavam em Cristo” cerca de tres anos após a sua conversão, não pode significar que estas últimas nunca o viram.
Perseguição da igreja. Pode-se dizer que ficou sendo necessária a perseguição para levá-los a cumprir o mandamento implícito em 1:8. Na medida em que os cristãos avançavam para novas áreas, descobriram que havia uma resposta imediata ao evangelho, conforme exemplifica a resposta dada pelo povo da Samaria. A pregação de Filipe foi acompanhada pelos mesmos tipos de sinais que já tinham sido vistos no ministério de Jesus e dos apóstolos, e havia uma reposta poderosa à chamada ao batismo. Esta resposta era tanto mais notável porque as pessoas às quais Filipe pregava já tinham estado sob o fascínio de um charlatão religioso de nome Simão. A missão bemsucedida levou a uma visita por Pedro e João que descobriram que os convertidos não tinham recebido o Espirito e que impuseram sobre eles as mãos a fim de que O recebessem. Até mesmo Simão quis obter alguma coisa — não meramente o dom do Espírito, mas, sim, o dom de outorgar aos outros o dom do Espírito; foi, porém, necessário adverti-lo fortemente contra a atitude pecaminosa e sem arrependimento que revelou no modo de fazer este pedido. A história é significativa de dois modos.
Em primeiro lugar, registra o recebimento do evangelho pelos samaritanos, um povo ao qual os judeus odiavam intensamente e consideravam como sendo herético; o sentimento de hostilidade, porém, era mútuo. Embora possamos ser tentados a ver na missão à Samaria a primeira tentativa da igreja rio sentido de evangelizar aos gentios, esta seria uma interpretação errônea. Para os judeus, os samaritanos não eram gentios, mas, sim, cismáticos,- parte das “ovelhas perdidas da casa de Israel” (Jervell, págs. 113-132). Para Lucas," eram pessoas que observavam a lei e que demonstravam mais piedade do que muitos judeus (Lc 10:33-37; 17:11-19), embora também pudessem mostrar hostilidade aos discípulos de Jesus (Lc 9:52-56). Por detrás da narrativa, portanto, podemos muito bem perceber que a hostilidade entre os judeus e os samaritanos foi vencida pela fé que os dois grupos tinham em Jesus Cristo, e é neste sentido que se pode encarar esta história como um passo na direção da solução do problema maior de reunir os judeus e os gentios. Se for correta esta idéia, talvez ofereça a chave ao problema inegável apresentado pelo fato de que os crentes samaritanos não receberam o Espírito até que os apóstolos impusessem sobre eles as mãos. Destarte, foram levados à comunhão com a igreja inteira, e não meramente com a seção helenística dela. Esta explicação é preferível ao ponto de vista de que os samaritanos não corresponderam plenamente à pregação do evangelho. Outros pontos de vista, como, por exemplo, aquele que declara que o Espírito não poderia ser recebido senão pela imposição das mãos apostólicas, são contrários à tendência geral do quadro que Lucas nos dá em Átos (cf. 9:17).  Em segundo lugar, a história dá destaque a Simão, o mago, que mais tarde ficou sendo de má fama como herege gnóstico. Há grande incerteza quanto a Simão realmente ter sido um gnóstico que sustentava pelo menos alguns dos conceitos heréticos atribuídos a ele por escritores posteriores, ou se foi meramente um mágico e charlatão a cujo nome crenças gnósticas vieram a ser posteriormente atribuídas. Certamente, é curioso que alguns dos estudiosos mais radicais do Novo  Testamento (tais quais Haenchen, págs. 303, 307), que teriam muita cautela em atribuir ao próprio Jesus qualquer  parte da cristologia da igreja, estejam tão dispostos a acreditar que crenças gnósticas do século II já eram sustentadas por Simão na primeira  metade do século I. Parece mais provável que certas reivindicações do Simão histórico tenham cpaacitado seus seguidores posteriores a considerálo um gnóstico, embora ele mesmo não tenha chegado àquela etapa.
8.4. A história começa a mostrar como a perseguição da igreja em Jerusalém acabou surtindo um efeito favorável. Aqueles que foram expulsos dos seus lares ou que acharam melhor deixá-los pregavam a Palavra como oas novas enquanto iam de lugar em lugar. E interessante que este movimento específico não é atribuído a qualquer orientação predsa da parte do Espírito, tal qual ocorria noutras etapas crudais na expansão da igreja. Pelo contrário, parece que era considerado coisa natural para os cristãos viajantes espalharem o evangelho; talvez surgissem naturalmente oportunidades para assim fazer, à medida em que as pessoas entre as quais vieram viver perguntavam a eles por que tinham deixado seus lares.
8.5 Uma das pessoas que foram para a Samaria (8:1)8 5 foi Filipe que é claramente aquele membro dos Sete mendonado em 6:5. A sua pregação acerca do Messias certamente teria despertado o interesse, no mínimo, dos ouvintes, visto que a expectativa da vinda de um libertador futuro (conheddo como o ta’eb ou “restaurador”) fazia parte firme da teologia samaritana (Jo 4:25); esta expectativa se baseava em Deuteronômio 18:15 e segs., e a pessoa esperada tinha mais o caráter de um ensinador e legislador do que de um soberano.
6-8. Havia um movimento em massa entre o povo na medida em que escutava atentamente à mensagem de Filipe. Sua atenção foi despertada por aquilo que ouviram e viram. Filipe tinha a mesma capacidade dos apóstolos para operar sinais que serviam como confirmação da sua mensagem. Como Pedro (5:16), podia expulsar espíritos maus, e o povo podia escutar os gritos que saíam das vítimas possessas quando os poderes demoníacos as deixavam (cf. Lc 4:33; Mc 1:26).8 6 Além disto, o povo podia ver por si mesmo como as pessoas que tinham sido paralíticas e coxas agora conseguiam andar; mais uma vez, a atividade de Filipe tem correspondência com a de Pedro (3:1-10) e de Jesus. Estes milagres de cura trouxeram júbilo ao povo. Por enquanto, porém, nada se diz acerca de o povo passar a realmente crer no evangelho,t e, embora houvesse alusâío a uma situação em que Jesus não podia curar onde não havia fé (Mc 6:5-6), sabemos que podia existir a cura sem a resposta apropriada da fé e da gratidão a Deus (Lc 17:17-19).
8.9-11. Antes, porém, de registrar a conversão do povo, Lucas volta a atenção dos leitores àquilo que estava acontecendo antes da chegada de Filipe. Havia na cidade um homem chamado Simão, que alegava ser pessoa de grande importância, e obteve crédito mediante os seus poderes milagrosos. O povo foi enganado por ele ao ponto de dizer que era o poder de Deus, chamado o Grande Poder. Os fatos acerca de Simão dificilmente se desentranham das lendas posteriores. Temos informações fidedignas da parte de Justino Mártir, ele mesmo nativo da Samaria, de que Simão ali vivia e de que mais tarde mudou para Roma, onde continuou seus atos enganosos. Mais tarde, Irineu registra que viajou juntamente com uma certa Helena, ex-escrava, a qual dizia ser uma encarnação do “Pensamento” (um poder gnóstico). Hipólito, outro escritor que tratava das heresias, conta uma história acerca de como Simão foi derrotado numa disputa com Pedro. Finalmente Simão disse “que se fosse enterrado vivo, ressuscitaria no terceiro dia. Mandando cavar uma sepultura, ordenou que seus discípulos empilhassem terra sobre ele. Fizeram como mandara, mas ele permanece ali até hoje. Isto porque não era o Cristo” . É difícil aquilatar a quantidade de veracidade nestas histórias, e noutras tantas. Certamente, Lucas A primeira parte de v. 7 se expressa de modo mal ajeitado no texto grego, como se Lucas tivesse deixado de dar ao texto uma revisão final; o significado, no
entanto, fica claro.
 
ATOS 8:11-13
é o escritor mais antigo que nos dá informações acerca dele, e devemos levar a sério a alegação que colocou nos lábios de Simão, e que foi confirmada pelo povo. É difícil ter exata certeza quanto a quem Simão alegava ser, mas tratava-se, no mínimo, dalgum poder celestial. É improvável que alegasse ser o Messias. Haenchen (pág. 303), pensa que alegava ser “o Grande Poder, ou seja: Deus”. K. Haacker (NDITNTart. “Samaritano”) argumenta de modo convincente que “o grande poder” designa a divindade, e “de Deus” é o acréscimo explanatório de Lucas. É possível, também, pensar no grande poder de Deus como sendo um ente gnóstico, uma emanação do Deus supremo. Parece mais provável, no entanto, que Simão alegasse ser divino, e que os gnósticos posteriores interpretassem esta alegação do modo deles. De qualquer maneira, Lucas o apresenta como sendo nada mais do que um mágico que enganava o povo com seus truques, e é o seu papel de mágico que é desacreditado na história.
12. O efeito da pregação de Filipe foi que o povo prestava atenção a ele (v. 6), e não a Simão (v. 11). Deram crédito a Filipe na medida em que os evangelizava a respeito do reino de Deus e do nome de Jesus Cristo. Trata-se de uma combinação interessante de temas, o que mostra como a igreja primitiva via a mensagem de Cristo continuada na sua própria mensagem, mas, ao mesmo tempo, falava mais e mais acerca  do meio através do qual o poder real de Deus estava sendo manifestado na época dela, a saber: através do poderoso nome de Jesus. Alguns deram importância ao fato de que Lucas diz que o povo deu crédito a Filipe mais do que acreditar no evangelho ou em Jesus. A construção que se emprega é pisteuõ com o dativo, que, segundo Dunn (Batismo, pág. 65), indica assentimento intelectual mais do que a dedicação do coração. Mesmo assim, a construção se emprega em 16:34 e 18:8 para a fé genuína em Deus. A pergunta, realmente, é se a crença em Filipe enquanto ele pregava o evangelho deve ser entendida como fé inadequada. O povo passou a ser batizado, e esperar-se-ia que Filipe, ao fazer assim, estivesse satisfeito quanto à sinceridade dos batizandos; nada há na história para sugerir que ele fosse inadequado como evangelista. De modo geral, não há qualquer evidência clara no sentido de o povo ter sido meramente superficial quanto à sua crença.
13. O que se diz de Simão, porém? Ele também abraçou a fé e foi batizado. Depois disto, acompanhava a Filipe (cf. o coxo em 3:11), mas seu apego a este não estava livre de superstição e assombro: os sinais milagrosos que Filipe conseguiu operar deixavam-no assombrado e (conforme podemos supor, baseados nos w. 18-19), com anseio de possuir a mesma capacidade. Simão, pois, foi um crente genuíno? Sua crença certamente deixou muito a desejar; mas é necessário ler o restante da história antes de aquilatarmos de modo justo a sua profissão.
14. Não se nos diz diretamente qual motivo levou os apóstolos, que estavam em Jerusalém, a enviarem dois de seu grupo ao ouvirem que a Palavra fora recebida ali de modo favorável. A difusão do evangelho aos samaritanos, porém, deve ter sido um passo tão extraordinário que os apóstolos forçosamente tinham que ir ver o que acontecia, a fim de entrarem em entendimento com este novo evento na vida da igreja. Mais tarde, a evangelização bem-sucedida dos gentios em Antioquia levaria ao envio de Bamabé a partir de Jerusalém para ver o que estava acontecendo (11 '22), e quando Pedro ajudou na conversão de Comélio, o assunto foi debatido numa reunião da igreja. Parece que os novos avanços eram examinados com grande cuidado na igreja em Jerusalém, e certamente temos a impressão de um grupo conservador que nunca fez novas aventuras por conta própria.
15-17. Quando os delegados apostólicos chegaram, Pedro e João, oraram pelos convertidos para que recebessem o Espirito Santo, e lhes impunham as mãos com esta finalidade; isto porque, conforme explica
Lucas, o Espírito não havia ainda descido sobre nenhum deles (para esta expressão, ver 1044; 11:15). Tudo quanto acontecera era que haviam sido batizados em o nome do Senhor Jesus.68 Esta é, talvez, a declaração mais extraordinária em Atos. Noutros trechos, fica claro que o batismo em nome de Jesus leva ao recebimento do Espírito (238); a situação é diferente  em 19:1-7, onde os doze homens em Éfeso não tinham sido batizados em nome de Jesus. A imposição das mãos não se menciona em conexão com o recebimento do Espírito noutro trecho senão em 19:6, também em circunstâncias algo excepcionais. Do outro lado, o Espírito pode cair sobre as pessoas antes do batismo com a água (10:4448). Fica claro que o recebimento do Espírito não está fixado ao momento do batismo com água. Por que, portanto, o Espírito não fora dado nesta ocasião? É totalmente improvável que um segundo recebimento do Espírito fosse transmitido mediante a imposição das mãos, talvez acompanhado por dons carismáticos incomuns; o v. 16 exclui completamente esta possibilidade. Nem há probabilidade de que o Espírito pudesse ser transmitido somente mediante a imposição das mios apostólicas, pois há outros trechos em que o Espírito é dado sem mencionar-se a imposição das mãos (2:38) e sem a presença de qualquer dos doze apóstolos (9:17). Além disto, pode-se supor que o oficial etíope recebeu o Espírito sem mais cerimônia, quando Filipe o batizou. Sobram apenas dois tipos de explicação. A primeira é que Deus reteve o Espírito até a vinda de Pedro e João a fim de que fosse visto que os samaritanos estavam plenamente incorporados na comunidade dos cristãos de Jerusalém que receberam o Espírito no dia do Pentecoste.89 Este ponto de vista é confirmado quando Pedro, na ocasião em que Comélio recebeu o Espírito, testifica explicitamente que o Espírito Santo veio sobre aquele e sua família exatamente como veio sobre os primeiros cristãos; era a mesma experiência (11:15-17). O segundo ponto de vista é que a resposta e a dedicação dos samaritanos eram defeituosas, conforme demonstra o fato de que ainda não haviam recebido o Espírito (Dunn, Batismo, págs. 55-68). Dunn sugere que, entre outras coisas, os samaritanos precisavam da certeza de que realmente foram aceitos na comunidade cristã antes de poderem chegar à fé integral. Entretanto, devemos ressaltar que Lucas não fala assim em lugar algum. Além disto, não se nos diz nada acerca de
qualquer defeito na fé dos samaritanos que precisasse ser remediado antes que pudessem receber o Espírito; Pedro e João não pregaram a eles, mas, sim, oraram para que o Espírito lhes fosse dado. De modo geral, portanto, é preferível o primeiro ponto de vista.9 0 Deve ser notado que a história pressupõe que é possível saber se uma pessoa recebeu o Espírito ou não. Seria este o caso se fossem incluídos os dons carismáticos, e é possível que outras indicações menos espetaculares, tais quais o gozo espiritual, tivessem sido consideradas como evidências adequadas da presença do Espírito (13:52; 16:34; 1 Ts 1:6).
18-19. Simão percebeu que os apóstolos tinham a capacidade de derramar o Espírito sobre outras pessoas. O que quis não foi apenas ter ele mesmo o dom do Espírito, mas, sim, que tivesse o poder para outorgá-lo a outras pessoas. Não se declara com clareza se os apóstolos impuseram as mãos sobre Simão e lhe outorgaram o Espírito, embora pudesse ser subentendido na declaração geral no v. 17. A passagem não se ocupa em especulações acerca de se Simão estava (na linguagem teológica posterior)
 
ATOS 8:19-23
“regenerado”. 0 que se ressalta é seu desejo pecaminoso de possuir poder espiritual por razões erradas e de obter aquele poder pelo método errado. A possessão de qualquer tipo de autoridade espiritual é uma responsabilidade solene mais do que um privilégio, e aquele que a possui deve ter consciência constante da tentação para dominar sobre aqueles por cujo bem-estar espiritual é responsável; deve também precaver-se contra o perigo de empregar sua posição para seus próprios interesses, seja como modo de fazer dinheiro ou de inchar seu próprio ego (1 Pe 5:2-3). Simão encarava dentro dos conceitos de magia o poder de outorgar o Espírito, e estava disposto a pagar pelo privilégio, revelando assim ainda mais malentendidos a respeito de obter posições na igreja mediante um pagamento ou a oferta de um suborno;
este pecado recebeu o nome de “simonia” como resultado deste incidente.
20-23. A resposta de Pedro não poderia empregar fraseologia mais forte. J. B. Phillips traduziu a primeira frase com arrojo: “para o inferno com o seu dinheiro!” , que talvez soe como linguagem profana, mas é precisamente o que diz o texto grego. É o pronunciamento de uma maldição contra Simão, consignando-o à destruição com o seu dinheiro. É, portanto, o equivalente à excomunhão da igreja ou, talvez com mais exatidão, tratase de uma advertência solene dirigida a Simão quanto àquilo que lhe aconteceria se não mudasse a sua atitude. A própria idéia de obter uma dádiva divina através dalgum tipo de pagamento revela uma compreensão totalmente falsa da natureza de Deus e das Suas dádivas. Até certo ponto, é possível, compreender Simão; tendo saído diretamente do paganismo, facilmente poderia entender erroneamente a nova religião que o atraíra. Mesmo assim, era grave o erro, e tinha que ser destruído no nascedouro. Simão, ao pensar assim, mostrou que suas atitudes estavam fora de harmonia com aquelas de Deus (cf. SI 78:37), e, portanto, enquanto assim persistia a situaçao, não tinha parte nem sorte nas bênçãos do evangelho (cf. Dt 12:12, 14:27 para a linguagem empregada). Devia, portanto, arrepender-se da sua atitude maligna e orar que seu mau intento fosse perdoado (cf. SI 78:38). Os comentaristas têm argumentado se talvez subentende a probabilidade ou improbabilidade de Deus perdoar a Simão. É provável que a lição seja, simplesmente, que Simão não podia barganhar com a misericórdia de Deus, tendo-a como garantida. Como comentário final, Pedro acrescenta que é séria a posição de Simão. Está em fel de amargura. Este é um modo hebraico de dizer “em fel amargo”, e reflete Deuteronômio 29:18, que fala do perigo de brotar “raiz que produza erva venenosa e amarga” ; aqui, segundo parece, a frase é metáfora de uma pessoa cuja idolatria e impiedade levassem a resultados amargos para si mesmo e para as pessoas ás quais engana
 
ATOS 8:24-25
(cf. Lm 3:15, 19). Pedro, pois, está dizendo que Simão está provocando amargo juízo para si mesmo, como sói acontecer com uma pessoa firmemente presa pelo pecado (para a frase, cf. Is 58:6). 24. A resposta de Simão foi pedir que os apóstolos orassem por ele a fim de que nenhum dos juízos ameaçados lhe sobreviesse. Alguns MSS têm uma variação do texto que acrescenta o comentário interessante que Simão chorava continuamente ao fazer seu pedido. Não há qualquer indício que fosse sincera a sua petição, por muito ou pouco que tenha entendido de tudo que fora dito. As lendas posteriores retrataram Simão como opositor persistente do cristianismo e como arqui-herege; não há nada disto aqui, o que provavelmente sugere que a narrativa em Lucas é mais antiga do que o quadro posterior de Simão. Diferentemente de Ananias, Simão recebeu da parte de Pedro uma oportunidade de arrependimento; é difídl ter certeza qual a diferença que Lucas talvez tenha visto entre os dois homens, a não ser que pensasse que Ananias teve mais oportunidade do que Simão para reconhecer a pecaminosidade da sua ação, tendo, portanto, pecado deliberadamente (cf. Lc 12:4748). Seja qual for o caso, a história indica que existe a possibilidade do perdão mesmo para um pecado sério cometido por uma pessoa batizada.
25. A história termina, anotando como os próprios apóstolos pregavam ao povo e evangelizavam muitas aldeias samaritanas no seu caminho de volta para Jerusalém. O sujeito do versículo se expressa vagamente, mas sem dúvida inclui Filipe, preparando, assim, o caminho para a história que se segue a respeito dele. O comentário é muito geral também, mas visa mostrar que a missão aos samaritanos, começada por Filipe, foi continuada pelos líderes da igreja em Jerusalém. Foi assim firmemente endossado o recebimento dos samaritanos na igreja e, em 9:31, o narrador considera coisa certa a presença de samaritanos na igreja única.
g. A conversão de um etíope (8:26-40)
Filipe figura também numa segunda história que outra vez diz respeito à expansão missionária da igreja. Ao passo que a história anterior dizia respeito à Samaria e a um movimento em massa, aqui se trata de um único convertido que vem do extremo sul. Na história anterior, não houve orientação divina especial que levasse à aventura evangelística, mas aqui, a cada passo, vê-se que o Espírito dirige tudo quanto acontece. A história diz respeito à conversão de um gentio; não é certo se era prosélito ou não. Visto, porém, que o homem voltou para a sua própria pátria distante, parece daro que o episódio nSo levantou problemas imediatos para uma igreja que ainda nío esclarecera sua atitude para com gentios convertidos. As questões levantadas somente chegaram ao clímax quando uma série posterior de eventos forçou a igreja a reconhecer o que acontecia, e entrar em entendimento com eles. A história é incluída aqui tanto por causa de dizer respeito a Filipe, quanto por causa de formar parte do progresso paulatino da igreja em direção aos gentios. Historicamente, mostra que os helenistas, mais do que Pedro, assumiram a liderança em levar aos gentios o evangelho. A conversão propriamente dita é interessante aqui, pois o etíope foi levado à fé mediante o reconhecimento de que em Jesus foram cumpridas as Escrituras proféticas. Filipe conseguiu atuar sem qualquer necessidade de seus esforços serem suplementados pelos apóstolos. Tomando pòr certo que a narrativa é histórica, decerto depende das reminiscências do próprio Filipe. É óbvio, no entanto, que Lucas colocou ò relato na linguagem dele, ao ressaltar os elementos que considerou ter significância especial - o modo de Deus responder àqueles que O temem em todas as nações (10:34-35), o cumprimento da profeda do Servo de Deus na Pessoa de Jesus (3:13), e o papel desempenhado pelo Espírito na obra da evangelização. O modo de ser narrada a história tem certas semelhanças, quanto à estrutura, com outra história na qual um Estranho acompanhou dois viajantes e abriu perante eles as Escrituras, participou de um ato sacramental, e depois desapareceu de vista (Lc 24:13-35).
26. A história começa a desenrolar-se quando um anjo deu ordem a Filipe, levando-o para longe do cenário da evangelização bem sucedida e conduzindo-o para um lugar que decerto parecia totalmente inapropriado para mais trabalhos cristãos. O emprego do anjo do Senhor como mensageiro relembra seu papel no Antigo Testamento (2 Rs 1:3, 15). Não fica claro por que o Espírito tomou o lugar do anjo como mensageiro divino no v. 29 (cf. 5:19; 10:3; 12:7-23; 27:23); no pensamento judaico, parece, ter havido nítida associação entre ambos (235). O que importa é que, desta maneira, a viagem de Filipe e a ação subseqüente foram vistas como tendo sido instigadas por Deus, e, portanto, como parte da intençíío dEle.A igreja nào descobriu “por acidente” a idéia de evangelizar os gentios; tudo foi feito de acordo com o propósito deliberado deDeus. Filipe recebeu a ordem de ir para a banda do sul. A frase grega, no entanto, pode também ser traduzida “ao meio-dia” .
 
ATOS 8:26-29
recentes adote esta tradução no seu texto, é possível que seja correta, pois toma o mandamento divino, dirigido a Filipe, tanto mais in comum e surpreendente; ao meio-dia, por causa do calor, o caminho estaria deserto. O caminho aqui referido ia para o sul, de Jerusalém para Hebrom, e depois para o oeste, paxa o litoral em Gaza. Este se acha deserto é o comentário de Lucas que sublinha quão estranho era o mandamento.
27-28. Filipe, então, fez conforme a ordem recebida; obedeceu imediatamente e - por estranho que pareça,93 encontrou-se com outro viajante. O homem provinha do país hoje conhecido como ,o Sudão (e não a Etiópia moderna) onde era eunuco empregado no serviço da rainha-mãe, que tinha o título hereditário de Candace, e que, na realidade, exercia o poderio sobre a nação. O termo eunuco normalmente indica alguém que foi castrado; pela lei judaica, tais pessoas eram proibidas de entrarem no templo (Dt 23:1), embora Isaías 56:3-8 oferecesse para eles uma situação melhor no futuro. Se o homem fosse eunuco neste sentido, não poderia ser um prosélito. Este termo, no entanto, também podia ser empregado para referir-se simplesmente a um oficial da corte. É possível que este seja o sentido aqui, mas os termos colecionados na frase dão a entender que a palavra deva ter algum significado independente juntamente com superintendente, e o emprego que Lucas fez da linguagem veterotestamentária sugere que ele bem pode ter desejado que seus leitores vissem aqui o cumprimento de Isaías 56:3-8. Da mesma forma, talvez tenha visto também um cumprimento do Salmo 68:31. Ressalta-se a alta posição do oficial como tesoureiro real: não era este um  convertido insignificante! Viera a Jerusalém a fim de adorar ali; era, portanto, pelo menos um “temente a Deus” (ver 10:2, nota). Mesmo que não pudesse ser um prosélito de pleno direito, servia a Deus conforme suas melhores possibilidades. Provavelmente tinha estado em Jerusalém na ocasião dalguma das festas peregrinas, e agora estava de volta para casa, andando, conforme a sua posição social, num carro; aproveitava o tempo ao ler de um rolo que continha parte das Escrituras judaicas.
29-31. Pela segunda vez nesta história, Filipe recebe uma ordem divina. Podemos supor que em circunstâncias normais uma pessoa comum não abordaria um viajante de posição sodal superior e, portanto, Filipe precisava de certeza interior quanto àquilo que deveria fazer.
 
ATOS 8.29-34
do, na realidade, uma carroça de bois, e não teria viajado muito mais rapidamente do que o compasso do andar, de tal maneira que Filipe não teria dificuldades em correr ao lado dela e chamar o ocupante. Ao aproximar-se do carro, Filipe ouviu a voz de quem lia - seja a de um escravo que lia em alta voz ao seu senhor, ou a do próprio eunuco.94 Reconheceu aquilo que estava sendo lido, e passou a perguntar ao eunuco se entendia aquilo que lia. Como resposta, o eunuco confessou ter necessidade de um intérprete, e convidou Filipe a empreender a tarefa. Decerto supôs ser este um judeu (pelas roupas ou pelo sotaque) e, assim, provavelmente capaz de ajudálo. O princípio geral que enunda, porém, é de significânda. O Antigo Testamento não pode ser plenamente compreendido sem interpretação. Era necessária uma chave para destrancar as portas dos seus ditos misteriosos. Jesus fornecera aos Seus discípulos uma chave assim (Lc 24:25-27, 4447). Agora, Filipe estava sendo conclamado a ajudar o eunuco da mesma maneira.
32-33. A passagem que o eunuco estava lendo ofereceu uma oportunidade de ouro ao evangelista. Na realidade, podemos perceber nesta narrativa a mão de Deus agindo a cada momento, no modo de Filipe ter sido guiado para o lugar certo, a fim de encontrar-se com um homem a quem Deus também estava preparando para este encontro. Não foi, portanto, por addente que, no exato momento em que Filipe escutou-o, estava lendo de uma passagem que era idealmente apropriada como ponto de partida para a mensagem crista. Isaías 53:7-8 pertence a uma passagem profética que diz respeito a um Servo de Deus que padeceu humilhação de todos os tipos, e carregou sobre Si o pecado dos outros; desta forma, faz expiação pelos pecados destes e, finalmente, é glorificado por Deus. Há muito debate quanto á maneira de.os leitores do século I terem entendido o texto, e é bem possível que a incerteza do eunuco fosse típica. Os versículos específicos dtados são obscuros quanto ao seu significado. Descrevem como o Servoguarda silêndo assim como um cordeiro nâo faz som algum ao ser confrontado pela faca do açougueiro ou do tosquiador. Não protestou, embora fosse humilhado, despojado da justiça e, finalmente, trucidado.
34. Parece estranho que o  eunuco não pergunte qual o significado dos vérsículos; começa perguntando se o profeta descreve a sua própria experiência ou a doutra pessoa. Visto que Jeremias podia descrever seus sofrimentos de modo marcantemente semelhante a este (Jr 11:18-20), não é surpreendente que alguns estudiosos tenham postulado que neste caso, também, o profeta se referia à sua própria experiência. E, desde que Deus, noutras partes deste contexto geral, chamou o povo de Israel de servo dEle (Is 44:1-2), outra vez não é de se surpreender que alguns tenham dentificado o Servo como sendo Israel, ou parte desta nação, ou o verdadeiro Israel conforme a intenção de Deus. Estes dois pontos de vista ocorriam no judaísmo. O que não fica claro é se o Servo era identificado com o “Filho de Davi” que se esperava, e que estabeleceria o reino final de Deus em Israel. Segundo nosso ponto de vista, há alguma probabilidade de que este passo foi dado por alguns judeus,9 s e que, acima de tudo, Jesus via a Si mesmo como Aquele que cumpriu o papel do Servo.9 6 A frase “abrir a sua boca” (ARC) é usada quando segue uma declaração importante. Aqui, pois, está o clímax da conversação, na medida em que Filipe toma da passagem o seu ponto de partida e declara as boas novas de Jesus Cristo. É claro que seu primeiro passo era demonstrar que Jesus era a pessoa que cumpriu a profecia. Uma descrição do caráter geral de Jesus e do modo do Seu sofrimento sem justa causa, e como foi condenado à morte, comprovaria este argumento. Sem dúvida, Filipe disse muito mais. Decerto, mostrou como a história de Jesus era boas novas. Não sabemos se fez diante do etíope uma exposição do restante de Isaías cap. 53. Já foi observado que, no que diz respeito ao próprio Lucas, ele registra poucas referências â obra de Jesus em carregar sobre Si os pecados humanos, e em fazer expiação, e alguns tiraram a conclusão de que pouca importância dava a este aspecto na sua própria teologia. Aqui, também, conforme alguns têm salientado, é curioso que os versículos de Isaías cap. 53 que são citados por extenso falam do sofrimento injusto de Jesus, mas não do fato de Ele levar sobre Si os pecados dos outros nem do seu padecimento em prol deles: é relevante este silêncio? Naturalmente, postular a pergunta deste modo é supor que a escolha que Lucas fez da citação foi dele mesmo, ao invés de ser determinada pelos fatos da história conforme Filipe ou alguma fonte documentária os transmitiu a ele, e é duvidosa semelhante suposição. Visto que, noutros trechos, Lucas se refere ao sofrimento de Jesus em prol dos outros (20:28; Lc 22:19-20), parece duvidoso nosso direito de tirar qualquer conclusão com base no silêncio desta.
 
ATOS 8:36-39 36. Que Filipe disse muito mais ao eunuco do que se sugere brevemente no v. 35 toma-se claro pelo fato que, quando os viajantes chegam a uma corrente o eunuco pediu o batismo. É óbvio, portanto, que Filipe deve ter falado segundo o modelo do sermão de Pedro em Atos cap. 2, especialmentev. 38, a respeito da resposta adequada à mensagem cristã. Da mesma forma, podemos supor que o eunuco deve ter dado a Filipe alguma evidência da sua fé em Jesus. Não havia, portanto, razão alguma para ele não ser batizado. Mesmo assim, a falta de qualquer menção clara destas coisas levou algum escriba primitivo a preencher o v. 37 conforme aparece entre colchetes na ARA: “Filipe respondeu: É lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus!” O conteúdo do acréscimo é teologicamente correto, mas o estilo não é o de Lucas e a evidência em prol do trecho nos MSS mais antigos é fraca. 38. Filipe, satisfeito de que o eunuco estava pronto para o batismo, concordou com seu pedido. O eunuco mandou parar o carro, e os dois homens desceram à corrente, onde Filipe o batizou. Não há evidência suficiente para indicar se o batismo foi pela imersão do eunuco ou mediante  derramar (afusão) de água sobre ele enquanto ficava de pé nas águas rasas; se o Novo Testamento deixa obscuro o modo preciso do batismo, talvez não devamos insistir nalgum tipo específico de praxe.
39. Conforme consta, o texto descreve como o Espirito arrebatou  a Filipe quando os dois homens saíram da água. É um término muito abrupto para a história, e fica consideravelmente aliviado pela forma mais longa do texto, que diz: “Quando saíram da água, o Espírito Santo caiu sobre o eunuco, mas o anjo do Senhor arrebatou a Filipe . . .” Visto que na frase grega original a palavra “Santo” vem na ordem conforme a temos supra, é fácil ver que a totalidade da frase poderia ter acidentalmente caído do texto. Neste caso, a forma mais longa do texto pode ter sido a fraseologia original e, assim, a história relata explicitamente como o dom do Espírito seguiu após o batismo do eunuco. Embora seja fraca a evidência nos MSS em prol do texto mais longo, é possível que fosse o original. A frase “Espírito do Senhor”, no entanto, ocorre em 55 e Lc 4:18, e o quadro do Espírito (e não um anjo) que transporta uma pessoa aparece em 1 Reis 18:12; 2 Reis 2:16; Ezequiel 3:14; et al. De qualquer maneira, o fato de que o eunuco foi seguindo seu caminho para casa cheio de júbilo nos pemite tirar a inferência de que recebeu o Espírito Santo. Ver Marshal, Luke, págs. 169-175. * V. o artigo sobre Batismo no NDITNT, vol. 1.
 
ATOS 8:40
40. Neste ínterim, Filipe chegou em Azoto, a próxima cidàde importante ao norte de Gaza na estrada do litoral. Deste ponto em diante, havia povoações, e Filipe pregava nelas à medida em que caminhava para o norte, para Cesaréia. Parece que Filipe morava ali; de qualquer modo, na vez seguinte que aparece em Atos, em data muito posterior, é em Cesaréia que está estabelecido.

   

Figuras da Lição 4, O Trabalho e Atributos do Ganhador de Almas