quinta-feira, 2 de julho de 2015

Lição 1 - Uma Mensagem à Igreja Local e à Liderança parte 2

Lição 1 - Uma Mensagem à Igreja Local e à Liderança parte 2

Ora, ainda que alguns críticos (especialmente alguns dos primeiros) tenham sido bastante ousados a ponto de considerar também essas notas pessoais como sendo obra de hábil falsificador, o qual tentou dar colorido e verossemelhança a seu hábil produto literário, e que inventou situações irreais - porém de aparência real - com o fim de alcançar seu objetivo, ao mesmo tempo que bafeja ares de profundo respeito pela verdade, essa solução não encontrou aceitação geral. E de muitos ângulos objetável. É dificilmente provável que um forjador usasse tantos nomes pessoais. Além do mais, ele se veria obrigado a fazer que suas notas de toque pessoal assumissem um aspecto por demais real e vivido. Seguramente, não teria falado de Demas em tom desfavorável (2 Tm 4.10), que em nenhuma parte é tomado por Paulo como desertor, um homem que se havia apaixonado pelo mundo (contrastar com Cl 4.14; Fm 24). Mas a alternativa proposta por outros críticos negativos é algo melhor? Esta alternativa transforma o autor das Pastorais num adaptador que tomou certas passagens genuinamente paulinas, acomodou-as a sua própria composição, e assim deu a impressão de que Paulo era o autor do todo. Esta teoria, porém, não explica como é que as transições do material genuíno ao forjado veio a ser tão fluente. Como já se observou, poder-se-ia esperar que as costuras fossem percebidas! Além do mais, não é estranho que da correspondência original entre o grande apóstolo e seus associados ficassem somente umas poucas notas pessoais genuínas? Em suma, a teoria é vulnerável a luz de diversos aspectos, e hoje é rejeitada por muitos dos próprios críticos negativos. Albert Schweitzer, como era de se esperar, negando que seja Paulo o autor das Pastorais, observa que são várias reiteradas tentativas de descobrir nelas “as notas breves escritas por Paulo”. Ora, a verdadeira alternativa a teoria de “recortes e colagem” ou “quebra-cabeça” dos críticos não é negar completamente que Paulo fosse o autor, mas, de conformidade com os dados apresentados, a aceitação de Paulo como o autor de todo o conteúdo. O argumento do estilo, quando se tem em conta todos os fatos, indica somente um sentido, a saber, que Paulo é o autor das Pastorais.
 
(3) A teologia não é a de Paulo.
A cruz já não é mais o centro. Há uma ênfase indevida nas boas obras. Causa perplexidade que ainda se reitere tal argumento. Qualquer leitor da Bíblia no idioma inglês [e português] que estude cuidadosamente as Pastorais do início ao fim, e que esteja familiarizado com a doutrina de Paulo como apresentada nas outras dez Epístolas, pode responder facilmente aos críticos neste ponto. Naturalmente, é verdade que nas Pastorais não há uma exposição detalhada, da doutrina da salvação pela fé em CRISTO sem as obras da lei. Não obstante, essa doutrina é expressa de forma inequívoca em mais de uma passagem, e é totalmente admitida. A verdade é que a doutrina que é ensinada e pressuposta nas Pastorais é claramente a mesma sustentada nas dez: Os redimidos foram escolhidos desde a eternidade. São chamados escolhidos (2 Tm 2.10; cf. Ef 1.4; I Ts 1.4). A salvação deles se deve a graça de DEUS em CRISTO, e não as obras humanas (I Tm 1.14; 2 Tm 1.9; Tt 3.5; cf. G1 2.16; Rm 3.21-24). CRISTO é DEUS (Tt 2.13; cf. Rm 9.5; Fp 2.6; Cl 2.9). Ele é o Mediador entre DEUS e o homem, sendo o próprio Senhor JESUS CRISTO um homem (I Tm 2.5; cf. Rm 9.5; I Co 8.4, 6). Seu propósito ao vir ao mundo é assumir a humanidade foi salvar pecadores, dos quais Paulo se considera o principal (I Tm 1.15; cf. 2 Co 8.9; I Co 15.9; Ef 3.8). Os homens são salvos por meio da fé neste Mediador divino e humano, JESUS CRISTO (2 Tm 1.12; cf. Rm 1.17; Ef 2.8). Esta fé implica a união mística com CRISTO: morrer com ele; viver com ele; sofrer com ele; reinar com ele (2 Tm 2.11, 12; cf. Rm 6.8; 8.17). As boas obras são necessárias (I Tm 2.10; 6.11, 18; 2 Tm 2.22; 3.17) e devem ser consideradas como fruto da graça de DEUS (portanto, fruto da fé) que opera no crente (Tt 2.11-14; 3.4-8; cf. G1 5.22-24; Ef 2.10). A gloria de DEUS é o propósito principal do homem (I Tm 6.16; 2 Tm 4.18; cf. Rm 11.36; 16.27). Em tudo isso, onde existe contraste em doutrina, contraste supostamente tão marcante e definido que o autor das dez não poderia ter sido o autor das três? Quando na literatura, mesmo na recente, ainda se defende uma posição tão completamente insustentável e não se proporciona evidência de qualquer tipo, alguém sente-se levado a perguntar: “A alta critica é realmente cientifica?”
DEUS, em sua providência, de forma bem apropriada, cuidou para que nas três Epístolas finais de Paulo se realçasse o fruto (boas obras) da fé, posto que nas cartas precedentes foram apresentadas a natureza da fé e a necessidade dela em contraste com as obras da lei. Primeiro vem a árvore; em seguida vem o fruto.
 
(4) As Pastorais atacam o gnosticismo do 2º século, especialmente o marcianismo.
Ora, Marcião foi expulso da igreja de Roma no ano 144 d. C.. Portanto, as Pastorais certamente foram escritas por volta dessa data, ou seja, não antes do segundo quarto do 2º século. Isto demonstra que Paulo não poderia ter sido seu autor. Para abonar o ponto de vista de que quem quer que haja escrito as Pastorais está aqui combatendo o ponto de vista dos gnósticos do segundo século, geralmente se põe ênfase nos seguintes pontos:
(a) As “genealogias” (I Tm 1.4; Tt 3.9) são os “aeons” que emanam do seio de DEUS dos gnósticos do 2º século.
REFUTAÇÃO - Com respeito a (a): As “genealogias”, a luz de todo o contexto, são claramente judaicas em seu caráter. Lembram imediatamente as que se encontram no livro de Gênesis (cf. também Crônicas). O Livro de Jubileus está repleto de especulações que adornam nomes e histórias do Antigo Testamento. Os judeus eram mestres renomados na arte da eisegesis (introduzir os pensamentos e sentimentos do leitor na passagem; oposto a exegesis: extrair o sentido que o autor lhe deu). Ora, o próprio Marcião não discute os aeons (mundo eterno das ideias segundo Platão - Gênese; Apogeu e Decadência). Não se deve confundir seu ensino com o de Valentino. Mas em parte alguma da literatura gnóstica a palavra “genealogia” é usada como sinônimo de “aeon”.
(b) As “fábulas” (Tt 1.14) ou “mitos” representam especulações gnósticas do 2º século.
REFUTAÇÃO - Com respeito a (b): As “fábulas” ou os “mitos” são indubitávelmente chamados judaicos (Tt 1.14). Portanto, simplesmente não é justo equipará-los com as extravagâncias do gnosticismo do 2º século.
(c) As práticas ascéticas contra as quais o autor faz advertência ao condenar os pontos de vista de quem proíbe o matrimônio e impõe a abstinência de alimentos (I Tm 4.3), apontam para Marcião que praticou o mais estrito ascetismo, rebelando-se contra o matrimônio, a carne e o vinho.
REFUTAÇÃO - Com respeito a (c): Os críticos parecem ignorar que o apóstolo Paulo advertiu contra tendências ascéticas afins em Colossenses 2.16-23. Então, devemos concluir que Colossenses pertença também ao 2º século? Além do mais, poderíamos admitir prontamente que 1 Timóteo adverte contra o gnosticismo ascético, tal como o de Marcião. Isso, porém, não prova que o autor era contemporâneo de Marcião. Aqui não há nada que esteja contra o fato de que um autor do 1º século, a saber, Paulo, possa, sob a diretriz do ESPÍRITO, predizer o desenvolvimento de um erro no 2º século que, em forma incipiente, já existia em seu próprio tempo.
(d) A negação da ressurreição corporal (2 Tm 2.18) era uma característica do dualismo gnóstico do 2º século.
REFUTAÇÃO - Com respeito a (d): A negação de uma ressurreição física “ é tão antiga quanto as colinas”. Manifestou-se em formas diferentes. As vezes se rejeitava franca e diretamente a ideia da ressurreição do corpo. Em outras ocasiões a rejeição era implícita, como em nosso tempo: designa um sentido espiritual para o termo ressurreição. Por exemplo, os hereges descritos em 2 Timóteo 2.18 faziam precisamente isto. Em todo caso, em vista do extenso argumento de Paulo em 1 Coríntios 15, contra os que diziam: “Não existe ressurreição dos mortos”, é evidente que a afirmação: “a ressurreição já ocorreu” (2 Tm 2.18) não prova o que os críticos estão tentando provar. Não prova que Paulo não escreveu as Pastorais.
(e) As afirmações de que toda a Escritura é inspirada e útil (2 Tm 3.16), e que há um só DEUS (I Tm 2.5) não podem deixar de apontar para Marcião, que rejeitava todos os livros do Antigo Testamento é estabelecia uma aguda antítese entre o Jeová meramente justo do Antigo Testamento e o DEUS gracioso do Novo Testamento (ou seja, da edição mutilada do N. T. feita por Marcião).
REFUTAÇÃO - Com respeito a (e): As passagens a que se faz referência deveriam ser lidas a luz de seus próprios contextos específicos. Então toma-se evidente que, quando o autor está falando de um DEUS, não está contrastando um DEUS do Novo Testamento com um “demiurgo” do Antigo Testamento. Tampouco está pondo o Antigo Testamento numa relação antitética com o Novo, quando usa a expressão “toda a Escritura”. Esta contrastando o uso incorreto com o uso correto das Escrituras. Quando se faz uso correto das Escrituras de modo que se permaneça em seu claro ensino, a conclusão iniludível será que “toda a Escritura é inspirada por DEUS é útil”.
(f) O “próprio título do livro de Marcião” (“Antítese”) em 1 Timóteo 6.20 confirma o argumento. Seguramente, quem menciona o título da obra de um autor que floresceu no 2º século não poderia ter sido Paulo que morreu no 1º século! Aliás, é muito estranho que para algumas pessoas este argumento de seis pontos, que tem sido tão frequentemente e tão habilmente refutado, esteja ainda sendo reiterado, seja como um todo ou em parte, como se contivesse pelo menos um elemento considerável de valor.
REFUTAÇÃO - Finalmente, com respeito a (f): Se isto tem algum valor, equivaleria ao seguinte silogismo: Premissa maior: O autor das Pastorais faz uso do termo “antítese”. Premissa menor: Marcião, herege do 2º século, também faz uso do termo “antítese”, no título de um livro que escreveu. Conclusão: Portanto, o autor das Pastorais teria conhecido o livro de Marcião. De forma semelhante, alguém poderia dizer: Premissa maior: O autor do livro de Gênesis escreve sobre o Paraíso, o rio, a árvore da vida, a serpente. Premissa menor: O apóstolo João, autor do final do 1º século d. C., emprega as mesmas palavras em seu livro Apocalipse. Conclusão: Portanto, o autor do livro de Gênesis teria lido o livro Apocalipse. Ora, quem quer que leia 1 Timóteo 6.20 com uma mente imparcial e a luz de toda a epístola, facilmente chegará à conclusão de que, ao falar de “antítese”, o que o autor tinha em mente não é o contraste de Marcião entre o Cristianismo e o Judaísmo, mas as opiniões conflitantes dos que especulavam sobre as genealogias judaicas. Seguramente, uma coincidência meramente verbal entre uma palavra usada por um autor e um título usado por outro não pode ser usado como argumento convincente para determinar o autor. Além do que se disse em resposta ao argumento dos críticos, note-se o seguinte: Cada vez mais se reconhece hoje que o gnosticismo não surgiu repentinamente no 2º século, mas teve sua origem muito antes na história. Além do mais, não é um sistema organicamente unificado, mas um sincretismo ou adição religiosa especulativa, a qual contribuíram não só a filosofia platônica, mas também o misticismo oriental, o Judaísmo Cabalístico e o Cristianismo. Portanto, ainda que seja um fato que a heresia condenada pelas Pastorais tinha certos traços em comum com o gnosticismo do 2º século, isso de forma alguma as identifica como uma só.
O erro contra o qual as Pastorais advertem é tanto presente (I Tm 1.3-7, 19; 4.7; 6.4, 5, 9, 10, 17; 2 Tm 2.16-18; Tt 1.10-16; 3.9) quanto futuro (I Tm 4.1-3; 2 Tm 3.1-9) - tomados em conjunto abarcam toda a nova dispensação até a vinda de CRISTO; e ao mesmo tempo mormente doutrinal (I Tm 4) e mormente moral (2 Tm 3); produz-se dentro e fora das portas.
Não obstante, um fato é muito evidente, a saber: que em linhas mestras o erro aqui condenado se refere a lei veterotestamentária e sua interpretação (ver I Tm 1.7; cf. 6.4, 5; 2 Tm 4.4; Tt 1.14; 3.9). A ênfase é posta aqui. E foi exatamente essa lei com a qual o gnosticismo do 2º século nada teve que ver. Portanto, não há nada aqui que impulsione alguém a buscar um autor do 2º século. Pelo contrário, tudo aponta para o 1º século e o tempo e época de Paulo. Pelas razões indicadas, não surpreende que mesmo entre os críticos, os autores mais criteriosos já não mencionem “o argumento baseado na heresia que aqui se condena”. Parece que lhes agradaria ignorar que ele foi sempre seriamente usado contra a autoria paulina das Pastorais.
 
(5) As Pastorais revelam um marcante progresso na organização eclesiástica, muito mais que no tempo de Paulo.
Em seu tempo, ainda não existia um ministério oficial. Em contrapartida, no tempo em que as Pastorais foram escritas havia urna organização bem mais complexa, com oficiais assalariados, cujas qualificações haviam se tornado padronizadas.
Um crítico chama isso de “o argumento principal”, o qual prova que Paulo não poderia ter escrito as Pastorais. Alguns tentam “reforçá-lo ”, afirmando ser evidente o principio de organização em forma de pirâmide a luz do fato de que, enquanto as Pastorais reconhecem apenas um “bispo” (I Tim 3.1, 2; Tt 1.7), elas falam de muitos “presbíteros” ou “anciãos” (Tt 1.5), que evidentemente estavam servindo sob sua diretriz.
Outros críticos, contudo, evitam escrupulosamente fazer referência ao argumento em qualquer de suas formas. Evidentemente também nesse caso gostariam de ignorar que alguém o elaborou. E, por certo, entre os inúmeros argumentos pobres que se tem apresentado em defesa da teoria de que Paulo não poderia ter escrito as Pastorais, este é um dos piores.
Os fatos são os seguintes: (a) É errônea toda a concepção segundo a qual o oficio eclesiástico (comissão divina que implica autoridade sobre vida e doutrina) foi surgindo com o passar do tempo. É simplesmente incorreto dizer que no principio havia só liderança espontânea com base apenas nos dons espirituais, e que num tempo posterior isso deu lugar aos ofícios eletivos. Ver C. N. T. sobre o Evangelho de João, vol. II. Naturalmente, é verdade que os ofícios extraordinários foram gradualmente cedendo espaço aos ordinários. As Pastorais são os últimos escritos de Paulo. Portanto, não surpreende que o oficio “ordinário” de “supervisor” (bispo) ou “ancião” seja introduzido aqui como proeminente. (b) A noção de que no tempo de Paulo não havia ainda um ministério oficial está em conflito com os fatos mencionados nas Escrituras.
Jerusalém tinha seus diáconos (homens que “serviam as mesas”) muito antes que Paulo empreendesse suas viagens missionárias (At 6.1-6). Desde seus primórdios, a Igreja tinha anciãos (At 11.30), oficio que num sentido foi um prolongamento natural da instituição de anciãos no Israel antigo. Já em sua primeira viagem missionária, Paulo havia constituído “anciãos em cada igreja” (At 14.23). Já foi indicado que numa das primeiras cartas escritas por Paulo faz-se menção definidamente de “aos que trabalham entre vós, e vos presidem no Senhor, e vos admoestam” (ver C. N. T. sobre 1 Tessalonicenses 5.12, 13). Ao regressar de sua terceira viagem missionária, Paulo “convocou os anciãos da igreja” (de Éfeso e seus arredores). Ele os caracteriza como bispos sobre o rebanho, a igreja “do Senhor, a qual ele comprou com seu próprio sangue” (At 20.17, 28). Numa epístola escrita da prisão se faz menção de “bispos e diáconos” (Fp 1.1). Ora, com base em tudo isto por certo que não surpreenderia que nas Epístolas que o apóstolo escreveu um pouco antes de sua morte, o oficio de “supervisores” ou “anciãos” é reconhecido como já bem notório. É também muito natural que Paulo, sobre a partida desta esfera terrena, especificasse certas qualificações e regulamentações para o oficio, de modo a que igreja se guardasse contra as devastações causadas pelo erro, tanto doutrinal quanto moral. (c) Nas pastorais, o termo “ancião” (ou “presbítero”) e “supervisor” (ou “bispo”) são claramente sinônimos, como se prova a luz de Tito 1.5-7 (cf. I Tm 3.1-7; Filipenses 1.1; 1 Pedro 5.1,2). Ver comentário sobre esta passagem. (d) O episcopado, um sistema de governo eclesiástico no qual bispo governa sobre os presbíteros, parece ter surgido durante o período de transição obscura: o fim do 1º século e princípios do 2º. Surge passo a passo e se faz evidente pela primeira vez nas Epístolas de Inácio de Antioquia (que sofreu o martírio cerca do ano 110 d. C.), onde ele aparece como um episcopado congregacional (não diocesano). Ora, esse mesmo fato indica que as Pastorais, em que “bispo” é simplesmente outro nome para “ancião” ou “presbítero”, corresponde ao 1º século, e não ao 2°.
 
(6) Posto que Paulo não foi libertado de sua primeira e única prisão em Roma, mas que foi morto, é posto que o livro de Atos, que narra a história, de sua vida desde que perseguia a Igreja até o final de sua prisão, não deixa lugar para as viagens que estão implícitas nas Pastorais, não é possível que Paulo tenha escrito essas Epístolas.
J. Moffatt declara ousadamente que na realidade Paulo não saiu de sua prisão." Esse ponto de vista tem sido defendido por muitos antes e depois dele. Ora, se isso fosse correto, então os críticos já triunfaram em seu argumento, porque é um fato que as Pastorais implicam um número de viagens que não pode enquadrar-se nos itinerários de Paulo que são relatados no livro de Atos, e para os quais de fato não se pode achar lugar no espaço da vida do apóstolo que cobre Atos. O seguinte deixará isso bem claro: Quanto a 1 Timóteo, o autor lembra a Timóteo que ele ordenou que este ficasse em Éfeso enquanto ele se dirigia ao noroeste partindo de Éfeso em direção a Macedônia (I Tm 1.3). Também o informa (a Timóteo) que ele (o autor) espera ir vê-lo em breve (I Tm 3.14). Ora, segundo Atos, em sua primeira viagem missionária Paulo de forma alguma passou para a Europa (para Macedônia). Na segunda viagem: na ida, o ESPÍRITO SANTO o proibiu de falar a palavra na Ásia (At 16.6); portanto, não esteve em Éfeso; e de volta, ele foi de Corinto para o oriente de Éfeso, em seguida para o sudeste, via Cesaréia a Antioquia (At 18.18-23). Na terceira viagem, na ida, Paulo realizou uma poderosa tarefa em Éfeso (At 19). Continuou ali bastante tempo (três anos, At 20.31) e também cruzou depois para Macedônia (At 20.1). Mas dessa vez Timóteo não foi deixado em Éfeso, porém foi para Macedônia e Corinto (At 19.21, 22; 1 Co 4.17; 16.10), e em seguida regressou com Paulo para Macedônia (2 Co 1.1). Em seguida vai com Paulo a Corinto, regressa com ele a Macedônia, espera-o em Trôade e, provavelmente, está com ele em Jerusalém (Rm 16.21; At 20.3-5; I Co 16.3). Finalmente, em sua viagem a Roma, Éfeso ficou a longa distância ao norte. Chegando a Roma, seguiram-se dois anos de prisão. E o livro de Atos termina com o relato desse acontecimento. É evidente que nesse relato do livro de Atos não há espaço para a suposta viagem em 1 Timóteo. Com respeito a Tito, a situação é semelhante. Segundo essa Epístola Pastoral, o escritor deixou Tito em Creta para completar a organização das igrejas nessa ilha (Tt 1.5). Ele, então instrui seu colaborador a encontrar-se com ele em Nicópolis (em Epiro, na costa oriental do mar Jônico), onde espera passar o inverno (Tt 3.12). Segundo Atos, porém, em nenhuma das três viagens missionárias Paulo chegou a Creta. E na viagem a Roma, embora ele e Lucas navegassem “a sotavento de Creta”, e chegassem a Bons Portos, o apóstolo é apresentado como um prisioneiro, que não realiza nenhuma obra evangelística na ilha, e que não podia dizer nada acerca do lugar onde esperava passar o inverno ou onde desejava encontrar Tito (ver At 27.7-15). E, finalmente, 2 Timóteo pinta um prisioneiro (em Roma, cf. 2 Tm 1.17), considerado “malfeitor” (2 Tm 2.9), na véspera de sua execução. Humanamente falando, as perspectivas são muito tristes (ver, porém, 2 Tm 4.7, 8!). Só depois de uma diligente busca foi que Onésimo pode encontrá-lo (2 Tm 1.16, 17). Em nenhuma parte se vê sua libertação. Quase todos o haviam abandonado. Somente Lucas está com ele (2 Tm 1.15; 4.10, 11). Havia chegado (ou está para chegar) o momento de sua partida do cenário terreno (2 Tm 4.6, 18). Em brusco contraste com isso, a notícia da prisão romana registrada em Atos e nas Epístolas de Paulo da prisão (as prisões anteriores certamente não entram no quadro aqui) termina com esperança (ver também pp. 38-39). O apóstolo vive numa casa alugada a sua própria custa, e nutre esperanças de ser posto em liberdade em breve (At 28.30; Fp 1.25, 26; Fm 22). A conclusão é inevitável: se Paulo escreveu as Pastorais, teria sido posto em liberdade da prisão romana registrada em Atos. Teria feito mais viagens e teria sido novamente preso. Por muito tempo os críticos (intimidados pelo prestigio de Moffatt?) negaram a historicidade de sua soltura ou, pelo menos, procuraram ignorar o assunto. Não obstante, mais recentemente parece ter-se iniciado a volta a posição conservadora. Numa edição da revista Journal o f Biblical Literature, L. P. Pherigo argumenta enfaticamente em prol da posição de que Paulo foi realmente posto em liberdade da prisão registrada em Atos, e que ele trabalhou uns poucos anos mais. Ora, quem quer que esteja disposto a examinar a evidência se dará conta de que os argumentos contra a posição de que Paulo foi posto em liberdade são muito fracos. Por exemplo, o argumento que afirma que se Paulo tivesse sido posto em liberdade o autor de Atos teria registrado isso - como se Atos fosse a biografia de Paulo! - tem de defrontar-se com o contra-argumento: “se não fora posto em liberdade, Lucas certamente o teria assim indicado, posto que a nota favorável com que termina seu relato levaria os leitores a esperarem seu livramento” (At 28.30, 31). E não tem apoio a conclusão de que Paulo nunca voltou a Éfeso, e portanto não poderia ter escrito 1 Timóteo 1.3, inferência que se deriva da declaração do apóstolo aos anciãos efésios, ou seja: “Agora sei que nenhum de vocês, entre os quais passei pregando o Reino, verá novamente minha face” (At 20.25; cf. v. 38). Nessa passagem de Atos, o apóstolo não disse: “Eu sei que nunca voltarei a Éfeso”, mas predisse que não voltaria a reassumir pessoalmente a tarefa de percorrer a Ásia Menor, de confirmar as igrejas e de ir de lugar em lugar pregando o evangelho do reino, e desse modo não voltaria a ver os crentes de todos os lugares por onde passara. Tampouco disse Paulo: “Eu sei que nenhum de vocês, anciãos, que estão em Éfeso, verá novamente minha face”, mas: “Eu sei que todos vocês entre os quais tenho andado pregando o evangelho do reino não mais verão minha face.” O apóstolo estava dirigindo-se aos anciãos como representantes das igrejas da Ásia Menor. Com tais palavras, não se excluía a possibilidade de uma breve visita a Éfeso. O que se exclui é algo comparável com a atividade diária da obra do reino na região de Éfeso durante três anos (ver o contexto, At 20.31).
 
Os argumentos em prol da posição tradicional (é, como o vemos, correta é de que Paulo na verdade foi libertado de sua primeira prisão romana, fez mais algumas viagens, numa das quais escreveu 1 Timóteo e Tito, foi preso pela segunda vez, prisão essa durante a qual escreveu 2 Timóteo, e então foi executado, são os seguintes:
a. O livro de Atos leva o leitor a esperar o livramento de Paulo, poderia ainda implicar essa libertação.
Lucas enfatiza continuamente a justiça relativa, e as vezes as qualidades de amizade e cooperação das autoridades romanas. Resgatado por um tribuno militar das mãos da multidão assassina em Jerusalém, permite-se que Paulo se defenda, primeiro diante do povo e em seguida perante o concílio judaico (At 21.31-23.9). Uma vez mais é resgatado pelo tribuno, dessa vez das mãos dos fariseus e saduceus, que disputam entre si (At 23.10); e uma terceira vez, agora de um grupo de mais de quarenta judeus obrigados por voto. E trasladado para Cesaréia. Cláudio Lísias escreve uma carta em seu favor (At 23.12-35), dirigida ao governador Felix. Este também permite a Paulo defender-se, porém, querendo fazer um favor aos judeus, o deixa na prisão. Quando Festo sucede Felix, o apóstolo apela para César. Festo diz ao rei Agripa que Paulo nada fizera que merecesse a morte, e lhe permite apresentar sua defesa diante do rei. No barco, rumo a Roma, o apóstolo é tratado humanamente pelo centurião Júlio (At 27.3), que em seguida também lhe salva a vida (At 27.43). Depois da tempestade e do naufrágio, sendo acolhido hospitaleiramente pelo chefe da ilha de Malta (At 28.7), e depois de haver coberto a etapa final da viagem, chega a Roma, onde se lhe permite viver por conta própria com um soldado a guardá-lo (At 28.16). Ainda que se trate de um prisioneiro que espera seu julgamento, concede-se-lhe uma considerável liberdade pessoal, bem como a oportunidade de pregar o evangelho (At 20.30, 31). Certamente a noção de que ele fora então condenado e executado destoa completamente de todo o relato precedente. Aliás, ainda se tem sugerido que a expressão “permaneceu dois anos completos” numa casa alugada (ou “por sua própria conta”) poderia ter um sentido legal, ou seja, que esperou os dois anos completos (limite estabelecido pela lei?) durante os quais os acusadores teriam a oportunidade de insistir com suas acusações. Não surgindo nenhuma (Atos 28.21 aponta nessa direção?), o julgamento encerrou- se por desistência, e Paulo foi posto em liberdade, tendo cumprido o requisito legal dos dois anos. Não se tem estabelecido se essa interpretação é correta. O argumento primordial é este: os capítulos finais de Atos pressupõem uma libertação, e não uma execução.
b. As Epístolas de Paulo escritas da prisão revelam que ele esperava ser posto em liberdade (Fp 1.25-27; 2.24; Fm 22).
c. O próprio fato de essas Epístolas Pastorais, que pressupõem viagens que exigiriam a libertação e uma segunda prisão, terem sobrevivido e serem aceitas pela igreja primitiva como autênticas e inspiradas, parece apontar na direção de uma tradição forte e antiga em prol desse aspecto.
d. Ainda muito antes da prisão romana registrada em Atos, o apóstolo nutria o desejo de ir a Espanha (Rm 15.24, 28).
e. Que ele foi posto em liberdade, foi a Espanha, em seguida foi preso pela segunda vez e, tendo prestado testemunho diante das autoridades, foi executado, é certamente a interpretação mais natural da passagem muito discutida de Clemente de Roma que, escrevendo na última década do 1º século d. C., de Roma, o centro do império, aos coríntios, admoestando-os a por fim de que a suas lutas oriundas dos ciúmes, disse: “Paulo ... tendo ensinado a justiça a todo o mundo, e havendo chegado as fronteiras do Ocidente, e testificando diante dos governadores, deixou este mundo e foi levado para o Lugar Santo, deixando um extraordinário exemplo de paciência” (Primeira Epístola de Clemente aos Coríntios, V.vii).
A expressão “as fronteiras do Ocidente”, especialmente quando usada por alguém que escreve de Roma, o coração e centro do império, se refere naturalmente ao extremo ocidental da Europa. De forma semelhante, o Fragmento Muratoriano menciona a viagem de Paulo a Espanha. E o grande historiador da igreja, Eusébio, declara de forma significativa: “Lucas, também, que nos entregou por escrito os Atos dos Apóstolos, chegou ao fim de sua narrativa declarando que Paulo passou em liberdade dois anos completos em Roma, e que pregava a palavra de DEUS sem impedimento. A tradição sustenta que o apóstolo, havendo se defendido, voltou a ser enviado em seu ministério de pregação, e ao voltar pela segunda vez a mesma cidade, sofreu o martírio sob o governo de Nero. Enquanto permanecia na prisão, compôs a segunda epístola a Timóteo, significando ao mesmo tempo que já havia ocorrido sua primeira defesa e que seu martírio estava próximo” (História Eclesiástica Il.xxii. 1, 2). A tradição posterior aceita uma segunda prisão em Roma (Crisóstomo, Jerônimo, Teodoro de Mopsuestia e outros)    Consequentemente, fez-se evidente que o assim chamado argumento “histórico” contra a possibilidade de Paulo haver escrito as Pastorais não tem mais substância do que tem os demais. É preciso encontrar melhores razões, se o intuito é contrabalançar o peso da tradição. O que já se disse basta para indicar a inadequação dos argumentos dos críticos. Supondo que as Pastorais foram as últimas Epístolas de Paulo, escritas depois de sua primeira prisão em Roma, com um propósito completamente distinto do das outras dez Epístolas, fica resolvido o principal problema, pelos menos em grande medida. De acordo com a informação proporcionada pelas próprias Epístolas, o autor era:
(1) Um homem chamado “Paulo, apóstolo de JESUS CRISTO” (I Tm 1.1; 2 Tm 1.1), ou “Paulo, servo de DEUS e apóstolo de JESUS CRISTO” (Tt 1.1). Assim vemos que essas três cartas identificam seu autor, em contraste com Hebreus, que não menciona o nome de seu autor. Nesse aspecto, as três são semelhantes as dez.
(2) Não só o autor dá seu nome, também dá um perfil de si mesmo. Esse perfil concorda com o que encontramos em Atos e nas dez epístolas acerca de Paulo.
a. O “Paulo” de ambas havia sido blasfemo e perseguidor da igreja (I Tm 1.12-17; cf. At 8.3; 9.1, 2; 22.4, 5; 26.9-11; I Co 15.9).
b. Convertido, foi divinamente designado para ser pregador e apóstolo (I Tm 1.1, 11; 2.7; 2 Tm 1.1, 11; Tt 1.1; cf. At 9.15; 22.14, 15; 26.16-18; 2 Co 12.12; G1 1.1; 2.7).
c. Sofreu muito em defesa da verdade, por exemplo em sua viagem por Antioquia, Icônio e Listra (2 Tm 1.12, 13; 3.10, II; cf. At 14; 2 Co 11; I Ts 1.6; 2.2).
(3) Esse homem escreve três cartas que, com variações menores, são semelhantes em estrutura as dez Epístolas paulinas. Sobre a natureza da concepção da carta de Paulo, ver C. N.T sobre 1 e 2 Tessalonicenses. Como exemplo, tomemos 2 Timóteo.
Ali encontramos:
a. Menção do nome e o oficio do autor (1.1).
b. Designação da pessoa a qual a carta é dirigida (1.2a), com um breve perfil da pessoa.
c. Saudação inicial (1.2b).
d. Ação de graças, misturada ao corpo da carta (1,3ss.).
e. Saudação final, no presente caso bastante detalhada (4.19-21).
f. Benção.
Ainda em detalhes menores, como a alínea e: a presença e ausência de palavras de saudação no final da carta, essas três Epístolas se assemelham, em suas variações, ao que se encontra nas dez. Assim Timóteo tem uma benção final (6.21b: “A graça seja com vocês”), e não uma saudação. Isso nos lembra Gálatas (6.18). Em 2 Timóteo faz-se menção, um a um, de quem se quer lembrar, e são dados vários nomes (4.19-21). Isso se assemelha ao que se encontra no final de Romanos (cap. 16) e de I Coríntios (16.19-21). Em Tito, a saudação final é muito geral (3.15: “Todos os que estão comigo o saúdam”). Poder-se-ia comparar isso com 2 Coríntios (13.13).
(4) Essas três cartas apontam para a mesma relação entre o autor e o destinatário (Timóteo e Tito) que nós conhecemos pelas cartas comumente atribuídas a Paulo (no caso de Timóteo) no livro de Atos. Era a relação de alguém que escreve com autoridade a quem reconhece sua autoridade, a de um “pai” espiritual a um “filho” espiritual, de amigo para amigo (abrangendo tanto afeição quanto confiança). Quanto a isso, sobre a relação de Paulo com Timóteo, o leitor deve comparar 1 Timóteo 1.2; 2 Timóteo 1.2 com 1 Coríntios 4.17; 16.10; Filipenses 2.19-23; Colossenses 1.1; 1 Tessalonicenses 3.2; e Filemom 1; e sobre sua relação com Tito, o leitor deve comparar Tito 1.4 com 2 Coríntios 2.13; 7.6, 13; e 8.17, 23.
(5) As três cartas mencionam nominalmente certas pessoas a quem, por outras fontes, temos aprendido a reconhecer como companheiros e colaboradores de Paulo. Ver o comentário sobre 2 Timóteo 4 e Tito 3.
(6) Elas revelam um autor cujo ardente interesse pelas igrejas que estabeleceu, cujo estilo e cuja teologia apontam diretamente para Paulo, como já se demonstrou (ver pp. 23-30). O testemunho da igreja primitiva está em harmonia com a conclusão que se tem derivado das próprias três Epístolas. Assim Eusébio, havendo feito uma investigação completa da literatura que tinha ao seu alcance, declara: “Mas claramente evidentes e simples são as quatorze [Epístolas] de Paulo; não obstante, não temos o direito de ignorar que alguns põem dúvida sobre a [epístola] aos Hebreus” (História Eclesiástica, III.iii.4, 5). Obviamente Eusébio, ao escrever em princípios do 4.° século, sabia que toda a igreja ortodoxa aceitava as Pastorais como tendo sido escritas por Paulo. Já observamos que ele faz menção especifica de 2 Timóteo como composição do grande apóstolo, “enquanto estava na prisão”, ao vir pela segunda vez a mesma cidade (Eclesiásticas History, Il.xxii. 1, 2 e cf. Ill.ii). A atitude negativa de uns poucos hereges (Basilides e Marcião) com respeito as três, e de Taciano e alguns outros que tinham uma forma de pensar afim com respeito a 1 e 2 Timóteo se deveu, provavelmente, ao fato de que o ensino desses homens estava longe de harmonizar-se com o ensino das Pastorais. Pelo menos essa é a explicação dada por Tertuliano, Clemente e Jerônimo. Certamente a opinião de uns poucos hereges não deve ser posta acima do considerado juízo de toda a igreja! De Eusébio podemos retroceder a Orígenes (cerca de 210-250), que cita um grande número de passagens (por exemplo, em sua obra Against Celsus: I Tm 2.1, 2; 3.15, 16; 4.1-5, 10, 17, 18; 6.20; 2 Tm 1.3, 10; 2.5; 3.6-8; 4.7, 11, 15, 20, 21; Tt 1.9, 10, 12; 3.6, 10) e as atribui a Paulo: “Além do mais, Paulo, que depois chegou ele mesmo a ser um apóstolo de JESUS, disse em sua epístola a Timóteo: Esta é uma palavra fiel, que JESUS CRISTO veio ao mundo salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal” (citando I Tm 3.15, Against Celsus I. lxiii). De Orígenes podemos recuar ainda mais, até chegar a seu mestre, Clemente de Alexandria (cerca de 190-200). Este cita a passagem com referência “a ciência, assim chamada falsamente” (1 Tm 6.20, 21), atribuindo esta passagem ao “apóstolo” (Stromata Il.xi). Também cita a predição de que “nos últimos tempos alguns apostatarão da fé” (I Tm 4 .1, 3), atribuindo-a ao “bendito Paulo” (Stromata Ill.vi). Um relance no Índice de Textos das obras de Clemente (por exemplo, em The AnteNicene Fathers, reimpressão em inglês de 1951, Grand Rapids, MI, Vol. II) e a leitura dessas passagens no original ou mesmo numa boa tradução basta para provar que nas obras desse pai da igreja há numerosas referências - e citações diretas - as Pastorais, consideradas obra escrita pelo apóstolo Paulo.
Quase ao mesmo tempo, Tertuliano (cerca de 193-216), no breve espaço de umas poucas linhas, cita várias passagens de 1 e 2 Timóteo (I Tm 6.20; 2 Tm 1.14; I Tm 1.18; 6.13; 2 Tm 2.2, em Prescription Against Heretics, XXV) declarando definitivamente que “Paulo dirigiu essa expressão a Timóteo”. Já vimos que ele desaprova a rejeição de Marcião das Pastorais (Against Marcion V.xxi). Irineu precedeu por uns poucos anos a Clemente de Alexandria e a Tertuliano, porém ainda foi contemporâneo deles por longo tempo. Ele começa sua obra Against as Heresies (cerca de 182-188) com uma citação de 1 Timóteo 1.4 (passagem sobre as “genealogias intermináveis” que não edificam), a qual definitivamente atribui ao apóstolo (ver o Prefácio da obra supramencionada de Irineu). Na mesma obra ele cita ou faz alusão a várias outras passagens, por exemplo 1 Timóteo 1.9 (IV.xvi.3); 2.5 (V.xvii.l); 3.15 (III.i.1); 4.2 (II.xxi.2); e não só da primeira epístola a Timóteo, mas também da segunda (2 Tm 2.23; cf. Against Heresies, IV., Prefácio, 3) e de Tito (Tt 3.10; cf. op. cit., I.xvi.3). Note especialmente que na última passagem Irineu declara que é Paulo quem nos ordena separar-nos dos que dão atenção a fábulas. Ora, ao atribuir Irineu as Pastorais ao “apóstolo”, ou seja, a “Paulo”, sua palavra deveria ter um peso considerável. Ele viajara extensamente e estava intimamente relacionado com quase toda a igreja de seu tempo, e fora discípulo de um discípulo (Policarpo) de um dos apóstolos (João). O Fragmento Muratoriano (cerca de 180-200), síntese dos livros do Novo Testamento, declara que o “bendito Paulo... escreve... produto do amor e do afeto, uma a Filemom, uma a Tito e duas a Timóteo... que o proeminente apreço da igreja universal considera sagradas na regulamentação da disciplina eclesiástica”. Entre os escritores ortodoxos, que viveram num ou noutro momento durante o período compreendido entre os anos 90 e 180, encontramos, no final dessa era, Teófilo de Antioquia que faz referência a “água e lavagem da regeneração” (To Autolycus Il.xvi), que pode ser considerada uma fusão de Efésios 5.26 e Tito 3.5. Ele cita definitivamente 1 Timóteo 2.2: “Para que vivamos vida tranquila e mansa” (a mesma obra, III.xiv). Atenágoras - as vezes chamado “o filósofo cristão do Agora Ateniense” (cf. seu nome Atena gora) -, era um ateniense de quem se diz que passeando certo dia chegou ao mercado onde encontrou pessoas zombando dos cristãos; então, movido por curiosidade, começou a ler as Escrituras com o fim de refutá-las. Diz-se que se converteu no processo de estudar as Escrituras com tal finalidade. Contemporâneo de Teófilo, considera DEUS como “luz inacessível” (A Pleafor tlie Christians XVI). Isto certamente nos lembra 1 Timóteo 1.16. Justino Mártir, escrevendo entre 155 e 161, demonstra conhecer as Pastorais. É certo que nem todas as semelhanças aparentes entre certas passagens de seus escritos e as Pastorais tem valor de evidência. Assim, por exemplo, a expressão “este mesmo CRISTO... o Juiz de todos os vivos e os mortos” (Dialogue with Trypho CXVIII), embora nos faz lembrar 2 Timóteo 4.1 (“JESUS CRISTO, que julgara vivos e mortos”), do que, naturalmente, poderia ter-se derivado, era provavelmente uma “palavra fiel” que se havia popularizado numa das primeiras etapas da fé cristã (ver também At 10.42; l Pe 4.5; cf. Mt 25.31-46; Jo 5.25-29; 2 Co 5.10), de modo que nela não se pode basear qualquer argumento para demonstrar que Justino conhecia as Pastorais. Não obstante, sua referência a “a bondade de DEUS e seu amor para com os homens” - note a filantropia de DEUS - é quase certo que a extraiu de Tito 3.4 (“Porém, quando se manifestou a bondade de DEUS... e seu amor para com os homens”). Também, quando chegamos a Policarpo (que escreveu provavelmente em algum momento entre 100 e 135), sentimos que pisamos em terreno firme. O fato de ele haver conhecido as Pastorais e as citar parece ser indiscutível. Julgue o leitor por si só:
  
Aqui, evidentemente, um escritor está usando as palavras de outro, variando um pouco a linguagem de acordo com a necessidade. É muito natural chegar a conclusão de que quando um autor diz: “Demas... amando o mundo”, e o outro se refere a pessoas usando que “não amaram este mundo”, é o segundo escritor que está usando expressões do primeiro, e não o contrário. Além do mais, se o discípulo, Irineu, atribuiu as Pastorais a Paulo, como já demonstramos, não é provável que o mestre, Policarpo, também o fizesse? Inácio (não depois de 110), ao exortar Policarpo a agradar aquele que o chamou para ser soldado (To Polycarp VI), imediatamente leva o leitor a lembrar-se de 2 Timóteo 2.4. (Outras supostas semelhanças são menos convincentes.) Devido a seu caráter conflitante, passamos por alto umas poucas alusões prováveis às Pastorais na Epístola de Barnabé, e passamos a considerar, finalmente, Clemente de Roma (90-100). As similaridades mais claras são as seguintes:
 
CLEMENTE DE ROMA (Aos Coríntios) “Estáveis ... prontos para toda boa obra” (11). "... os que com uma consciência pura servem a seu excelente nome” (XLV).
 
AS PASTORAIS “Lembre a todos... a fazer tudo o que é bom” (Tt 3.1). “Dou graças a DEUS, a quem sirvo com consciência limpa” (2 Tm 1.3). Sumariando todo o argumento relativo a autoria, podemos agora dizer com segurança o seguinte:
(1) Os argumentos dos críticos negativos foram examinados detalhadamente e foram achados falhos; ou seja, os críticos não puderam demonstrar que Paulo não poderia ter escrito as Pastorais.
(2) De acordo com a evidência das próprias Epístolas, o autor não foi outro senão o apóstolo Paulo.
(3) Dentro da igreja ortodoxa há uma tradição uniforme que atribui as Pastorais ao apóstolo Paulo. Essa tradição pode ser seguida desde Eusébio, nos princípios do 4° século, recuando até chegar a Irineu e ao fragmento Muratoriano em fins do 2º século. Além do mais, as Pastorais se encontram inclusas não só nessa lista (de Muratori), mas em todas as listas antigas de Epístolas paulinas, e também em todos os manuscritos e versões que chegaram até nós.
(4) Ainda no período compreendido entre 90 e 180 d. C. descobrimos clara evidência de que 1 e 2 Timóteo e Tito já existiam, eram tidas em alto apreço como a própria palavra de DEUS, e eram citadas com frequência de forma direta ou em paráfrase. É verdade que esses primeiros testemunhos não mencionam Paulo nominalmente como o autor.
É, antes, característica deles não mencionar os autores dos livros do Novo Testamento. Eles e seus leitores viviam tão próximo ao tempo dos apóstolos que isso não era considerado necessário. O próprio fato de que no tempo das testemunhas mais antigas - Teófilo de Antioquia, Atenágoras, Justino Mártir, Policarpo, Inácio e Clemente de Roma - as Pastorais tinham alcançado elevada fama e ampla circulação demonstra que a data de sua origem remonta a um período muito anterior. Dai, toda a evidência histórica aponta para Paulo como o único que durante o período 63-67 d. C. foi no sentido real o autor responsável dessas três pequenas jóias da verdade inspirada.
 
III. A Quem Foram Endereçadas?
E natural passar do remetente para os destinatários: Timóteo e Tito.
Timóteo, ou Timotheus, era uma pessoa notabilíssima. Seu nome significa “honrar ou adorar a deus”, originalmente um nome pagão muito comum, que era adotado por judeus e cristãos com mudança de referência, ou seja, para seu DEUS. Seu caráter era uma mescla de afeto e fidelidade a despeito de sua natural timidez. Paulo amava Timóteo e admirava seus extraordinários traços de personalidade. No que tange ao caráter afetuoso de Timóteo, é sobre ele que o apóstolo escreveu estas comoventes palavras: “Espero no Senhor JESUS enviar-lhes Timóteo brevemente, para que eu também possa sentir-me animado quando receber notícias de vocês. Não tenho ninguém como ele, que tenha interesse sincero pelo bem-estar de vocês, pois todos buscam seus próprios interesses e não os de JESUS CRISTO. Mas vocês sabem que Timóteo foi aprovado, porque serviu comigo no trabalho do evangelho como um filho ao lado de seu pai” (Fp 2.19-22). Aliás, Timóteo era o “filho amado” do apóstolo (2 Tm 1.2). No que tange a sua invariável fidelidade e decidida disposição de sacrificar qualquer coisa que parecesse ser-Ihe de interesse pessoal imediato pela causa do evangelho, isso se faz evidente não só à luz da passagem citada, mas também ante o fato de que nenhum dos companheiros de Paulo é mencionado com tanta frequência e que estivesse com ele tão constantemente como Timóteo. No último capitulo escrito da prisão, o grande apóstolo escreve: “Procura vir ter comigo logo... Procura vir antes do inverno” (2 Tm 4.9, 21). Paulo sabia que podia contar com Timóteo, assim como sabia que podia contar com Lucas (2 Tm 4.11).
Essa confiabilidade também se faz evidente a luz do fato de que apesar de sua juventude - era mais novo que Paulo vários anos (cf. I Tm 4.12; 2 Tm 2.22) -, sua natural reserva e timidez (I Co 16.10; 2 Tm 1.7) e suas “frequentes enfermidades” (I Tm 5.23), estava disposto a deixar seu lar para acompanhar o apóstolo em arriscadas viagens missionárias, ser enviado em comissões difíceis e mesmo perigosas e de continuar sendo até o fim um servo digno de JESUS CRISTO (Rm 16.21); ver também I Ts 3.2. Timóteo é mencionado pela primeira vez em Atos 16.1, passagem da qual se poderia inferir com probabilidade que ele era habitante de Listra (cf. At 20.4). Era procedente de um casamento “misto”: de um pai grego, pagão, e de uma piedosa mãe judia, Eunice e sua avó era Lóide (At 16.1; 2 Tm 1.5). Desde sua tenra idade fora instruído nas Sagradas Letras do Antigo Testamento (2 Tm 3.15). Com toda probabilidade, em sua primeira viagem missionária (cerca do ano 47 d. C.), Paulo fora o instrumento para a conversão de Timóteo, por isso desde então podia ser chamado “filho” (espiritual) de Paulo (1 Co 4.17; I Tm 1.2; 2 Tm 1.2). Por isso, não surpreende ler que ele estivesse familiarizado com as perseguições e os sofrimentos que os missionários experimentaram em sua primeira viagem (2 Tm 3.11), ou seja, antes que o próprio Timóteo se unisse a obra ativa de Paulo. Embora Paulo fosse o pai espiritual de Timóteo, não é de todo improvável que a avó Lóide e a mãe Eunice, cuja conversão ao Cristianismo precedeu a de Timóteo (2 Tm 1.5), tenham cooperado muito efetivamente para que esse feliz acontecimento viesse a ocorrer.
Quando, na segunda viagem missionária, Paulo e Silas chegaram a Derbe e Listra, Timóteo atendeu favoravelmente a solicitação do apóstolo de unir-se ao grupo nas tarefas missionárias. Isso deve ter ocorrido em torno do ano 51. À luz de Atos sabemos que as pessoas de sua comunidade “davam bom testemunho dele”. Posto ser notório que o pai de Timóteo era grego, de modo que a influência  do jovem entre os judeus seria reduzida a zero a menos que se fizesse algo que demonstrasse publicamente sua devoção pelas Sagradas Letras do povo do pacto, ele foi circuncidado (At 16.3). Nesse tempo, provavelmente ocorreu outro acontecimento importante: Timóteo foi ordenado pelos anciãos da igreja local (que fora estabelecida e organizada na primeira viagem) para sua nova tarefa, participando o próprio Paulo da solene “imposição das mãos” (At 14.23; I Tm 1.18; 4.14; 2 Tm 1.6). Juntamente com os outros missionários, Timóteo subsequentemente passou para a Europa, tendo Lucas por esse tempo se unido ao grupo. Já expusemos nossas razões para crer que embora Lucas ficasse em Filipos (contrastar “nos” de At 16.11, 13 com “eles” de At 17.1), Timóteo seguiu viagem com Paulo e Silas para Tessalônica (ou pelo menos reuniu-se logo depois com eles ali). Também ajudou os demais no lugar seguinte a que chegaram, ou seja, em Beréia, onde ele e Silas foram deixados com o fim de prestar auxilio espiritual a igreja recém-nascida, enquanto Paulo pessoalmente, acompanhado por alguns de seus amigos, se dirigia à costa, chegando finalmente a Atenas (At 17.10-15). Agindo a pedido de Paulo, Timóteo deixou Beréia e se reuniu com o apóstolo enquanto este ainda estava em Atenas (I Ts 3.1, 2). Foi enviado de regresso a Tessalônica com o fim de fortalecer e animar aos irmãos (I Ts 3.1, 2). Depois que Paulo partiu de Atenas e começou a obra em Corinto, Silas e Timóteo “vieram de Macedônia” para reunir-se com o apóstolo (At 18.1, 5; ver I Ts 3.6). Em Corinto, Timóteo realizou seus trabalhos missionários com Paulo e Silas. Por essa razão (e porque era conhecido em Tessalônica) seu nome é associado com o deles nos cabeçalhos das duas Epístolas aos Tessalonicenses, enviadas de Corinto (ver I Ts 1.1; 2Ts 1.1).
Na terceira viagem missionária (53/54-57/58 d. C.), Timóteo está com o apóstolo durante o extenso ministério deste em Éfeso. Dali é enviado a Macedônia e a Corinto (At 19.21, 22; I Co 4.17; 16.10). Como Timóteo foi por via terrestre - ou seja, a Corinto via Macedônia -, Paulo esperava que seu colaborador chegasse a Corinto depois que 1 Coríntios houvesse chegado a sua destinação. Quando Paulo chega a Macedônia, Timóteo reuniu-se a ele, como é evidente a luz do fato de que ele associa seu nome com o do apóstolo na epístola que ora envia aos Coríntios (2 Co 1.1). Também é claro que o ajudante e sócio acompanhou o apóstolo até Corinto (Rm 16.21), e que junto com os outros está com Paulo quando regressa a Macedônia (At 20.3, 4), e o está esperando em Trôade (At 20.5). Provavelmente esteve também com o apóstolo em Jerusalém (I Co 16.3). Por um pouco perdemos Timóteo de vista, mas durante a primeira prisão de Paulo em Roma os dois estão em intimo contato novamente, como se faz evidente a luz de Filipenses 1.1; Colossenses 1.1; Filemom 1.1. Como o apóstolo espera ser posto em liberdade num futuro próximo (Fp 2.24), ele diz aos filipenses que espera enviar-lhes Timóteo logo (Fp 2.19). Uma vez mais existe um vácuo na informação que chegou até nós. A próxima vez que ouvimos de Timóteo, ele está em Éfeso, onde Paulo juntou-se a ele. Ao partir, o apóstolo solicita que Timóteo fique em seu lugar (I Tm 1.3). Enquanto permanecia ali, certo dia Timóteo recebe a carta que hoje chamamos 1 Timóteo. Passam-se muitos meses, durante os quais nada se ouve acerca de Timóteo. Logo chega outra carta, na qual Paulo, escrevendo de Roma como prisioneiro que espera a morte, exorta seu amigo a fazer todo o possível para ir vê-lo antes do inverno (2 Tm 4.9, 21). Não existe um relato que esclareça se os dois chegaram realmente a ver-se outra vez. (A declaração enigmática acerca de Timóteo em Hb 13.23 não pode ser discutida aqui.). É possível admitir-se que Timóteo tentou ver o apóstolo. Isto está em harmonia com todo seu caráter. Embora seja vacilante e reservado, seu amor por Paulo, e mais ainda pelo Senhor JESUS CRISTO, por fim sempre triunfava. Talvez se estremeça por um instante (cf. I Co 16.10), porém jamais se nega. O seu caráter é digno de admiração. A dinâmica agressividade do apóstolo Paulo encontra uma verdadeira contrapartida em sua natural timidez. Não surpreende que Paulo e Timóteo fossem amigos! Timóteo e Tito tem em comum a inabalável lealdade a causa do evangelho, a disposição de serem enviados em comissões difíceis e um elevado conceito e respeito por seu amigo e superior, Paulo. Não obstante, em certo aspecto ambos diferem. Tito é mais líder; Timóteo é um seguidor. Tito é o tipo de homem que pode não só receber ordens, mas também pode proceder segundo seu próprio critério (2 Co 8.16, 17). Timóteo necessita um pouco de estímulo (2 Tm 1.6), embora aqui a ênfase esteja posta em “um pouco” e não no “estímulo”. Tito é um homem de recursos próprios, um homem com iniciativa numa boa causa. Alguém em quem se vê um pouco da agressividade de Paulo. Timóteo é cooperador, um homem que revela esse espírito mesmo quando tal cooperação exige que se façam coisas que vão contra sua natural timidez. Essa é a forma em que esses dois personagens se exibem na Galeria de Arte dos Escritos Sagrados. Ora, no que respeita a Tito, seu nome não aparece no livro de Atos, porém em outros lugares do Novo Testamento se encontra treze vezes: duas em Gálatas (2.1; 2.3), uma em 2 Timóteo (5.10), uma vez em Tito ( 1.4), e não menos de nove vezes em 2 Coríntios (2.13; 7.6; 7.13; 7.14; 8.6; 8.16; 8.23; 12.18; e novamente em 12.18). Não obstante, a primeira referência tacita a Tito se encontra no livro dos Atos, ainda que ali não se mencione seu nome. Comparando Atos 15.2 (“alguns outros”) com Gálatas 2.1,3 (“levando também comigo a Tito”... “mesmo Tito, que estava comigo”) sabemos que quando, depois da primeira viagem missionária, Paulo e Barnabé foram enviados a Jerusalém para ajudar a igreja a chegar a uma conclusão com respeito a se os cristãos gentios deviam circuncidar-se, foram acompanhados por “alguns outros”, entre os quais estava “Tito”. Com toda probabilidade, Tito era um dos convertidos pelo apóstolo, que o chama “verdadeiro filho na fé comum” (Tt 1.4). Há quem opine que seu lar ficava em Antioquia da Síria, e que se convertera durante a campanha de evangelização especialmente bendita realizada por Paulo e Barnabé nesse lar (At 11.19- 26; cf. At 14.26; 15.2; G1 2.1, 3), todavia isso não passa de uma conjetura plausível. Em seguida Tito se transforma numa pessoa de magna importância para o avanço do evangelho. È posto diante “dos apóstolos e anciãos”, em Jerusalém, como um teste, um claro desafio aos judaizantes. Tito é grego (G1 2.3) e ambos os seus genitores são gentios (em contraste com Timóteo, cuja mãe era judia). Naturalmente, o partido judaizante de Jerusalém exigiu que ele fosse circuncidado. Paulo, porém, não se deixa submeter-se por instante sequer (G1 -2.5), e a questão em disputa fica decidida em favor da livre admissão dos gentios na igreja, com base na fé pura em CRISTO, sem que se lhes exija que guardem a lei judaica (At 15.13-29). A importância dessa vitória para a liberdade cristã e para o avanço do Cristianismo dificilmente se poderá superestimar. Nada mais se ouve de Tito até a terceira viagem missionária de Paulo (data provável, 53/54-57/58). Durante essa viagem, o fiel auxiliar de Paulo é enviado a Corinto em mais de uma missão, ainda que os comentaristas difiram sobre se ele foi enviado duas ou três vezes. Provavelmente, a reconstrução mais simples de suas viagens seja também a melhor. Presumo que na terceira viagem missionária Tito fez apenas duas viagens a Corinto, uma de Éfeso (ele foi o portador de 1 Coríntios?) e uma de Macedônia, quando levou 2 Coríntios a seus destinatários. Voltando agora a primeira viagem (Éfeso a Corinto), foi Tito quem recebeu o encargo de realizar a delicada e difícil tarefa de solucionar “a situação coríntia” (rivalidade de partidos, fornicação etc.; ver I Co 1.11; 5.6; 16.17). É verdade que sua chegada a Corinto parece ter sido seguida quase imediatamente pela de Timóteo, porém nada se informa em relação com o que este tenha feito na cidade. Não obstante, diz-se aos coríntios que quando Timóteo chegasse, cuidassem para que ele estivesse entre eles “com tranquilidade” (I Co 16.10). Quanto a Tito, o apóstolo havia esperado encontrar seu emissário de regresso a Trôade. Quando Paulo não o encontrou ali, não teve descanso em seu espírito. Assim que partiu de Trôade e entrou na Europa (Macedônia, 2 Co 2.13), seu espírito foi confortado e seu coração se encheu de alegria não só por encontrar Tito, mas por ouvir de seus lábios um relato que em conjunto era favorável (2 Co 7.6, 13, 14)A missão para a qual Tito fora chamado a cumprir tinha sido bem sucedida numa medida considerável. Parece que em Corinto ele atuara com base no principio de que o melhor método de vencer o mal é “com o bem”. Assim, enquanto esteve ali, começara a por em ação novamente a obra de coleta de fundos para os santos carentes de Jerusalém.
Essa importante obra, que fora iniciada vários meses antes (2 Co 8.10), teve a data prorrogada. Tito, com o dinamismo que o caracterizava, lhe imprimira novos impulsos. Como já se indicou, o relato que Tito havia trazido não era de todo favorável. Os inimigos de Paulo não receberam de bom grado a repreensão que haviam recebido. Atacaram o apostolado de Paulo, e o acusaram de leviandade por haver mudado os planos de viagem (2 Co 1.15- 24); que ele revelara uma atitude jactanciosa que escondia uma covardia secreta; e que embora pregasse o evangelho sem remuneração, seus motivos não eram puros. Em conformidade com isso, de Macedônia (Filipos?) Paulo então escreve 2 Coríntios, a qual é levada por Tito (o mesmo que levou 1 Coríntios a seus destinatários?). Ele era o homem adequado para lidar com uma situação difícil. Ao mesmo tempo, poderia completar a obra de coletar fundos para os pobres de Jerusalém. Dessa vez Tito é acompanhado por outros dois, um dos quais era um notável pregador (2 Co 8.16-24). Tito, fiel a seu caráter, estava desejoso de continuar nessa missão (2 Co 8.16, 17). Nele não se descobre hesitação alguma. Segue-se um longo intervalo (talvez cerca de 56 a 63 d. C.) durante o qual nada sabemos de Tito. A próxima menção de seu nome é quando está a cargo de uma igreja em Creta (ou de um grupo de igrejas). Posto em liberdade de sua primeira prisão em Roma, e de viagem em direção ao oriente, Paulo o deixou ali com o fim de levar a bom termo o mandato descrito em Tito 1.5 (ver sobre essa passagem). Encontraremos Tito novamente (ver itens 2, 5, 6 e 10, nas pp. 55-56). Uma comparação entre 1 Timóteo 4.12 (“Que ninguém despreze sua juventude”) e Tito 2.15 (“Exorte e repreenda com toda autoridade. Ninguém o despreze”) pareceria indicar que Tito era mais velho que Timóteo. Ele amava os coríntios, amava seu Senhor. Amava a obra do Senhor, e revelou ampla evidência disso pela forma espontânea com que assumiu sua tarefa em Corinto. Nutria o mesmo espírito que Paulo, e seguia de perto seus passos (2 Co 12.18). Era original, prudente, corajoso, leal, um amigo intimo e de confiança do grande apóstolo, o verdadeiro representante deste na causa de CRISTO.

 

Lição 1 - Uma Mensagem à Igreja Local e à Liderança parte 3

Lição 1 - Uma Mensagem à Igreja Local e à Liderança parte 3
III. A Quem Foram Endereçadas?E natural passar do remetente para os destinatários: Timóteo e Tito.
Timóteo, ou Timotheus, era uma pessoa notabilíssima. Seu nome significa “honrar ou adorar a deus”, originalmente um nome pagão muito comum, que era adotado por judeus e cristãos com mudança de referência, ou seja, para seu DEUS. Seu caráter era uma mescla de afeto e fidelidade a despeito de sua natural timidez. Paulo amava Timóteo e admirava seus extraordinários traços de personalidade. No que tange ao caráter afetuoso de Timóteo, é sobre ele que o apóstolo escreveu estas comoventes palavras: “Espero no Senhor JESUS enviar-lhes Timóteo brevemente, para que eu também possa sentir-me animado quando receber notícias de vocês. Não tenho ninguém como ele, que tenha interesse sincero pelo bem-estar de vocês, pois todos buscam seus próprios interesses e não os de JESUS CRISTO. Mas vocês sabem que Timóteo foi aprovado, porque serviu comigo no trabalho do evangelho como um filho ao lado de seu pai” (Fp 2.19-22). Aliás, Timóteo era o “filho amado” do apóstolo (2 Tm 1.2). No que tange a sua invariável fidelidade e decidida disposição de sacrificar qualquer coisa que parecesse ser-Ihe de interesse pessoal imediato pela causa do evangelho, isso se faz evidente não só à luz da passagem citada, mas também ante o fato de que nenhum dos companheiros de Paulo é mencionado com tanta frequência e que estivesse com ele tão constantemente como Timóteo. No último capitulo escrito da prisão, o grande apóstolo escreve: “Procura vir ter comigo logo... Procura vir antes do inverno” (2 Tm 4.9, 21). Paulo sabia que podia contar com Timóteo, assim como sabia que podia contar com Lucas (2 Tm 4.11).
Essa confiabilidade também se faz evidente a luz do fato de que apesar de sua juventude - era mais novo que Paulo vários anos (cf. I Tm 4.12; 2 Tm 2.22) -, sua natural reserva e timidez (I Co 16.10; 2 Tm 1.7) e suas “frequentes enfermidades” (I Tm 5.23), estava disposto a deixar seu lar para acompanhar o apóstolo em arriscadas viagens missionárias, ser enviado em comissões difíceis e mesmo perigosas e de continuar sendo até o fim um servo digno de JESUS CRISTO (Rm 16.21); ver também I Ts 3.2. Timóteo é mencionado pela primeira vez em Atos 16.1, passagem da qual se poderia inferir com probabilidade que ele era habitante de Listra (cf. At 20.4). Era procedente de um casamento “misto”: de um pai grego, pagão, e de uma piedosa mãe judia, Eunice e sua avó era Lóide (At 16.1; 2 Tm 1.5). Desde sua tenra idade fora instruído nas Sagradas Letras do Antigo Testamento (2 Tm 3.15). Com toda probabilidade, em sua primeira viagem missionária (cerca do ano 47 d. C.), Paulo fora o instrumento para a conversão de Timóteo, por isso desde então podia ser chamado “filho” (espiritual) de Paulo (1 Co 4.17; I Tm 1.2; 2 Tm 1.2). Por isso, não surpreende ler que ele estivesse familiarizado com as perseguições e os sofrimentos que os missionários experimentaram em sua primeira viagem (2 Tm 3.11), ou seja, antes que o próprio Timóteo se unisse a obra ativa de Paulo. Embora Paulo fosse o pai espiritual de Timóteo, não é de todo improvável que a avó Lóide e a mãe Eunice, cuja conversão ao Cristianismo precedeu a de Timóteo (2 Tm 1.5), tenham cooperado muito efetivamente para que esse feliz acontecimento viesse a ocorrer.
Quando, na segunda viagem missionária, Paulo e Silas chegaram a Derbe e Listra, Timóteo atendeu favoravelmente a solicitação do apóstolo de unir-se ao grupo nas tarefas missionárias. Isso deve ter ocorrido em torno do ano 51. À luz de Atos sabemos que as pessoas de sua comunidade “davam bom testemunho dele”. Posto ser notório que o pai de Timóteo era grego, de modo que a influência  do jovem entre os judeus seria reduzida a zero a menos que se fizesse algo que demonstrasse publicamente sua devoção pelas Sagradas Letras do povo do pacto, ele foi circuncidado (At 16.3). Nesse tempo, provavelmente ocorreu outro acontecimento importante: Timóteo foi ordenado pelos anciãos da igreja local (que fora estabelecida e organizada na primeira viagem) para sua nova tarefa, participando o próprio Paulo da solene “imposição das mãos” (At 14.23; I Tm 1.18; 4.14; 2 Tm 1.6). Juntamente com os outros missionários, Timóteo subsequentemente passou para a Europa, tendo Lucas por esse tempo se unido ao grupo. Já expusemos nossas razões para crer que embora Lucas ficasse em Filipos (contrastar “nos” de At 16.11, 13 com “eles” de At 17.1), Timóteo seguiu viagem com Paulo e Silas para Tessalônica (ou pelo menos reuniu-se logo depois com eles ali). Também ajudou os demais no lugar seguinte a que chegaram, ou seja, em Beréia, onde ele e Silas foram deixados com o fim de prestar auxilio espiritual a igreja recém-nascida, enquanto Paulo pessoalmente, acompanhado por alguns de seus amigos, se dirigia à costa, chegando finalmente a Atenas (At 17.10-15). Agindo a pedido de Paulo, Timóteo deixou Beréia e se reuniu com o apóstolo enquanto este ainda estava em Atenas (I Ts 3.1, 2). Foi enviado de regresso a Tessalônica com o fim de fortalecer e animar aos irmãos (I Ts 3.1, 2). Depois que Paulo partiu de Atenas e começou a obra em Corinto, Silas e Timóteo “vieram de Macedônia” para reunir-se com o apóstolo (At 18.1, 5; ver I Ts 3.6). Em Corinto, Timóteo realizou seus trabalhos missionários com Paulo e Silas. Por essa razão (e porque era conhecido em Tessalônica) seu nome é associado com o deles nos cabeçalhos das duas Epístolas aos Tessalonicenses, enviadas de Corinto (ver I Ts 1.1; 2Ts 1.1).
Na terceira viagem missionária (53/54-57/58 d. C.), Timóteo está com o apóstolo durante o extenso ministério deste em Éfeso. Dali é enviado a Macedônia e a Corinto (At 19.21, 22; I Co 4.17; 16.10). Como Timóteo foi por via terrestre - ou seja, a Corinto via Macedônia -, Paulo esperava que seu colaborador chegasse a Corinto depois que 1 Coríntios houvesse chegado a sua destinação. Quando Paulo chega a Macedônia, Timóteo reuniu-se a ele, como é evidente a luz do fato de que ele associa seu nome com o do apóstolo na epístola que ora envia aos Coríntios (2 Co 1.1). Também é claro que o ajudante e sócio acompanhou o apóstolo até Corinto (Rm 16.21), e que junto com os outros está com Paulo quando regressa a Macedônia (At 20.3, 4), e o está esperando em Trôade (At 20.5). Provavelmente esteve também com o apóstolo em Jerusalém (I Co 16.3). Por um pouco perdemos Timóteo de vista, mas durante a primeira prisão de Paulo em Roma os dois estão em intimo contato novamente, como se faz evidente a luz de Filipenses 1.1; Colossenses 1.1; Filemom 1.1. Como o apóstolo espera ser posto em liberdade num futuro próximo (Fp 2.24), ele diz aos filipenses que espera enviar-lhes Timóteo logo (Fp 2.19). Uma vez mais existe um vácuo na informação que chegou até nós. A próxima vez que ouvimos de Timóteo, ele está em Éfeso, onde Paulo juntou-se a ele. Ao partir, o apóstolo solicita que Timóteo fique em seu lugar (I Tm 1.3). Enquanto permanecia ali, certo dia Timóteo recebe a carta que hoje chamamos 1 Timóteo. Passam-se muitos meses, durante os quais nada se ouve acerca de Timóteo. Logo chega outra carta, na qual Paulo, escrevendo de Roma como prisioneiro que espera a morte, exorta seu amigo a fazer todo o possível para ir vê-lo antes do inverno (2 Tm 4.9, 21). Não existe um relato que esclareça se os dois chegaram realmente a ver-se outra vez. (A declaração enigmática acerca de Timóteo em Hb 13.23 não pode ser discutida aqui.). É possível admitir-se que Timóteo tentou ver o apóstolo. Isto está em harmonia com todo seu caráter. Embora seja vacilante e reservado, seu amor por Paulo, e mais ainda pelo Senhor JESUS CRISTO, por fim sempre triunfava. Talvez se estremeça por um instante (cf. I Co 16.10), porém jamais se nega. O seu caráter é digno de admiração. A dinâmica agressividade do apóstolo Paulo encontra uma verdadeira contrapartida em sua natural timidez. Não surpreende que Paulo e Timóteo fossem amigos! Timóteo e Tito tem em comum a inabalável lealdade a causa do evangelho, a disposição de serem enviados em comissões difíceis e um elevado conceito e respeito por seu amigo e superior, Paulo. Não obstante, em certo aspecto ambos diferem. Tito é mais líder; Timóteo é um seguidor. Tito é o tipo de homem que pode não só receber ordens, mas também pode proceder segundo seu próprio critério (2 Co 8.16, 17). Timóteo necessita um pouco de estímulo (2 Tm 1.6), embora aqui a ênfase esteja posta em “um pouco” e não no “estímulo”. Tito é um homem de recursos próprios, um homem com iniciativa numa boa causa. Alguém em quem se vê um pouco da agressividade de Paulo. Timóteo é cooperador, um homem que revela esse espírito mesmo quando tal cooperação exige que se façam coisas que vão contra sua natural timidez. Essa é a forma em que esses dois personagens se exibem na Galeria de Arte dos Escritos Sagrados. Ora, no que respeita a Tito, seu nome não aparece no livro de Atos, porém em outros lugares do Novo Testamento se encontra treze vezes: duas em Gálatas (2.1; 2.3), uma em 2 Timóteo (5.10), uma vez em Tito ( 1.4), e não menos de nove vezes em 2 Coríntios (2.13; 7.6; 7.13; 7.14; 8.6; 8.16; 8.23; 12.18; e novamente em 12.18). Não obstante, a primeira referência tacita a Tito se encontra no livro dos Atos, ainda que ali não se mencione seu nome. Comparando Atos 15.2 (“alguns outros”) com Gálatas 2.1,3 (“levando também comigo a Tito”... “mesmo Tito, que estava comigo”) sabemos que quando, depois da primeira viagem missionária, Paulo e Barnabé foram enviados a Jerusalém para ajudar a igreja a chegar a uma conclusão com respeito a se os cristãos gentios deviam circuncidar-se, foram acompanhados por “alguns outros”, entre os quais estava “Tito”. Com toda probabilidade, Tito era um dos convertidos pelo apóstolo, que o chama “verdadeiro filho na fé comum” (Tt 1.4). Há quem opine que seu lar ficava em Antioquia da Síria, e que se convertera durante a campanha de evangelização especialmente bendita realizada por Paulo e Barnabé nesse lar (At 11.19- 26; cf. At 14.26; 15.2; G1 2.1, 3), todavia isso não passa de uma conjetura plausível. Em seguida Tito se transforma numa pessoa de magna importância para o avanço do evangelho. È posto diante “dos apóstolos e anciãos”, em Jerusalém, como um teste, um claro desafio aos judaizantes. Tito é grego (G1 2.3) e ambos os seus genitores são gentios (em contraste com Timóteo, cuja mãe era judia). Naturalmente, o partido judaizante de Jerusalém exigiu que ele fosse circuncidado. Paulo, porém, não se deixa submeter-se por instante sequer (G1 -2.5), e a questão em disputa fica decidida em favor da livre admissão dos gentios na igreja, com base na fé pura em CRISTO, sem que se lhes exija que guardem a lei judaica (At 15.13-29). A importância dessa vitória para a liberdade cristã e para o avanço do Cristianismo dificilmente se poderá superestimar. Nada mais se ouve de Tito até a terceira viagem missionária de Paulo (data provável, 53/54-57/58). Durante essa viagem, o fiel auxiliar de Paulo é enviado a Corinto em mais de uma missão, ainda que os comentaristas difiram sobre se ele foi enviado duas ou três vezes. Provavelmente, a reconstrução mais simples de suas viagens seja também a melhor. Presumo que na terceira viagem missionária Tito fez apenas duas viagens a Corinto, uma de Éfeso (ele foi o portador de 1 Coríntios?) e uma de Macedônia, quando levou 2 Coríntios a seus destinatários. Voltando agora a primeira viagem (Éfeso a Corinto), foi Tito quem recebeu o encargo de realizar a delicada e difícil tarefa de solucionar “a situação coríntia” (rivalidade de partidos, fornicação etc.; ver I Co 1.11; 5.6; 16.17). É verdade que sua chegada a Corinto parece ter sido seguida quase imediatamente pela de Timóteo, porém nada se informa em relação com o que este tenha feito na cidade. Não obstante, diz-se aos coríntios que quando Timóteo chegasse, cuidassem para que ele estivesse entre eles “com tranquilidade” (I Co 16.10). Quanto a Tito, o apóstolo havia esperado encontrar seu emissário de regresso a Trôade. Quando Paulo não o encontrou ali, não teve descanso em seu espírito. Assim que partiu de Trôade e entrou na Europa (Macedônia, 2 Co 2.13), seu espírito foi confortado e seu coração se encheu de alegria não só por encontrar Tito, mas por ouvir de seus lábios um relato que em conjunto era favorável (2 Co 7.6, 13, 14)A missão para a qual Tito fora chamado a cumprir tinha sido bem sucedida numa medida considerável. Parece que em Corinto ele atuara com base no principio de que o melhor método de vencer o mal é “com o bem”. Assim, enquanto esteve ali, começara a por em ação novamente a obra de coleta de fundos para os santos carentes de Jerusalém.
Essa importante obra, que fora iniciada vários meses antes (2 Co 8.10), teve a data prorrogada. Tito, com o dinamismo que o caracterizava, lhe imprimira novos impulsos. Como já se indicou, o relato que Tito havia trazido não era de todo favorável. Os inimigos de Paulo não receberam de bom grado a repreensão que haviam recebido. Atacaram o apostolado de Paulo, e o acusaram de leviandade por haver mudado os planos de viagem (2 Co 1.15- 24); que ele revelara uma atitude jactanciosa que escondia uma covardia secreta; e que embora pregasse o evangelho sem remuneração, seus motivos não eram puros. Em conformidade com isso, de Macedônia (Filipos?) Paulo então escreve 2 Coríntios, a qual é levada por Tito (o mesmo que levou 1 Coríntios a seus destinatários?). Ele era o homem adequado para lidar com uma situação difícil. Ao mesmo tempo, poderia completar a obra de coletar fundos para os pobres de Jerusalém. Dessa vez Tito é acompanhado por outros dois, um dos quais era um notável pregador (2 Co 8.16-24). Tito, fiel a seu caráter, estava desejoso de continuar nessa missão (2 Co 8.16, 17). Nele não se descobre hesitação alguma. Segue-se um longo intervalo (talvez cerca de 56 a 63 d. C.) durante o qual nada sabemos de Tito. A próxima menção de seu nome é quando está a cargo de uma igreja em Creta (ou de um grupo de igrejas). Posto em liberdade de sua primeira prisão em Roma, e de viagem em direção ao oriente, Paulo o deixou ali com o fim de levar a bom termo o mandato descrito em Tito 1.5 (ver sobre essa passagem). Encontraremos Tito novamente (ver itens 2, 5, 6 e 10, nas pp. 55-56). Uma comparação entre 1 Timóteo 4.12 (“Que ninguém despreze sua juventude”) e Tito 2.15 (“Exorte e repreenda com toda autoridade. Ninguém o despreze”) pareceria indicar que Tito era mais velho que Timóteo. Ele amava os coríntios, amava seu Senhor. Amava a obra do Senhor, e revelou ampla evidência disso pela forma espontânea com que assumiu sua tarefa em Corinto. Nutria o mesmo espírito que Paulo, e seguia de perto seus passos (2 Co 12.18). Era original, prudente, corajoso, leal, um amigo intimo e de confiança do grande apóstolo, o verdadeiro representante deste na causa de CRISTO.

IV. Qual é Seu Antecedente Histórico e Seu Propósito?Tem-se estabelecido (ver pp. 35-40) que toda a evidência histórica aponta na direção de uma libertação de Paulo de sua primeira prisão em Roma. Aonde foi ele imediatamente depois de ser posto em liberdade? Simplesmente não sabemos com nenhum grau de certeza. Naturalmente, as Pastorais implicam uma série de viagens, porém esses são apenas “elos” que podem ser unidos de muitas maneiras diferentes. Teria Paulo ido a Espanha? Teria ido ele de Roma a Filipos, e dali a Éfeso, como afirmam alguns, ou foi o inverso disso (Roma-Éfeso-Filipos), como afirmam outros? Quando teria viajado para Espanha? Teria Timóteo pedido permissão a Paulo para sair de Éfeso, permissão essa negada? Se esse é o caso, onde estava o apóstolo quando lhe chegou essa petição? Estava em algum lugar voltando da Espanha e dirigindo-se a Macedônia, como supõem alguns? Ou, é isso me parece preferível, devemos rejeitar a ideia de uma petição procedente de Timóteo, e devemos, quem sabe, pôr Paulo em Éfeso com Timóteo, quando solicita ao jovem que permaneça em seu posto, enquanto o apóstolo segue viagem rumo a Europa? É possível formular mais perguntas como essas. Entre as muitas combinações possíveis, o seguinte esquema é tão bom quanto qualquer outro. Ele tem a vantagem de sugerir uma linha natural de viagem.
1. Imediatamente depois de sua liberação, Paulo envia Timóteo a Filipos com esta boa notícia (Fp 2.19-23). Não pode estar muito fora a data de 63 d. C. Depois de 19 a 24 de julho de 64 (incêndio de Roma), a libertação teria sido muito improvável.
2. Paulo propriamente dito começa sua viagem em direção a Ásia Menor, e ao passar por Creta com essa destinação, deixa Tito na ilha com a finalidade de completar a organização da igreja (ou das igrejas) que fora estabelecida ali (cf. At 2.11; Tt 1.5).
3. O apóstolo chega a Éfeso, viaja até Colossos como havia proposto (Fm 22) e regressa para Éfeso.
4. Ali ele se reúne a Timóteo que traz notícias da congregação de Filipos (ver 1). Ao partir, Paulo solicita a Timóteo que ficasse em Éfeso, o que era indispensável a seu ministério (I Tm 1.3, 4).
5. Paulo pessoalmente vai a Macedônia, como havia planejado (Fp 2.24; I Tm 1.3). Espera regressar a Éfeso em breve, mas antes prevê que sua ausência será prolongada (I Tm 3.14, 15). De Macedônia (Filipos?) escreve duas Epístolas que se assemelham muito entre si: 1 Timóteo e Tito. Em sua epístola a Tito solicita a esse amado irmão que o encontre em Nicópolis (Tt 3.12).
6. De acordo com o planejado, o apóstolo viaja para Nicópolis (em Epiro), situada nas costa oriental do mar Jônico. Ali passa o inverno (Tt 3.12) e Tito se reúne a ele.
7. Paulo viaja para a Espanha (Rm 15.24), segundo alguns “levando Tito com ele”, mas não há indicação alguma nesse sentido. Imagina-se se Paulo foi a Espanha nessa ocasião e que Tito foi com ele, isso é algo que se admite. Acerca de Tito não há nada definido até chegarmos a 2 Timóteo 4.10.
8. Havendo regressado da Espanha, Paulo segue com destino a Ásia menor (ver 5) e deixa Trófimo enfermo em Mileto, ao sul de Éfeso (2 Tm 4.20). Teria o apóstolo se encontrado novamente com Timóteo e teria ocorrido a separação com lágrimas (2 Tm 1.4) nessa oportunidade ou pouco depois?
9. Em Trôade ele visita Carpo, em cuja casa deixa a capa (2 Tm 4.13). Dirige-se a Roma via Corinto, onde Erasto permanece (2 Tm 4.20). Volta a ser preso. (Não se sabe onde ocorreu - Trôade, Corinto, Roma ou outro lugar.) Quem reina é o cruel Nero. Esse é o monstro que assassinou seu meio-irmão, sua própria mãe, sua esposa (Otávia), seu tutor (Sêneca) e muitos outros. Quando Roma foi incendiada, em 64, o povo acusou Nero de ter ateado fogo a cidade. Ele tentou desviar de si a atenção e culpou os cristãos. O carnaval de sangue que se seguiu foi algo terrível.
10. Consequentemente, Paulo, ao regressar da Espanha, não mais desfrutou da proteção política. Sua segunda prisão é severa e breve (2 Tm 1.16, 17; 2.9). Somente Lucas permanece com ele. Demas o desamparou, havendo amado este mundo e partindo para Tessalônica. Crescente foi para Galácia ou Galia (Gaul), Tito, para Dalmácia (ver comentário sobre 2 Tm 4.10, 11). Ao solicitar que Timóteo fosse logo, pede-lhe que leve consigo Marcos. Esses detalhes se encontram em 2 Timóteo, carta que foi escrita quando a morte já rondava o apóstolo (2 Tm 4.6-11). Ele é condenado a morte e a decapitação na Via Ostia, quase cinco quilômetros fora da capital. Não sabemos se Timóteo e Marcos chegaram em Roma antes da morte do apóstolo.

Voltamos agora aos itens 4 e 5. Em Éfeso os judaizantes estavam difundindo suas doutrinas estranhas, pondo forte ênfase em coisas tais como genealogias intermináveis e fábulas profanas e de velhas caducas e assumindo a postura de doutores da lei (1 Tm 1.4, 7; 4.7). Segundo vários interpretes - e é possível que tenham razão esses seguidores do erro também criam que a matéria é má ou, pelo menos, a sede do mal, e, portanto, reconheciam uma ressurreição meramente espiritual (2 Tm 2.18). Logo passaram também a proibir o matrimônio e o uso de certos alimentos (I Tm 4.3). Já mostramos que os erros condenados eram em parte atuais, em parte futuros e em parte atuais e futuros (ver pp. 32-33). Além do mais, ao defenderem uma ética e doutrinas falsas, esses sinistros mestres (e talvez outros com eles) parece ter tornado necessário que Paulo estabelecesse algumas regras claras acerca da conduta apropriada no culto publico (ver especialmente o capitulo 2). As mulheres também careciam de instrução especial a esse respeito. A situação era muito grave. Isso se faz evidente quando se tem em conta os fatos adicionais:
a. a luz de passagens tais como 1 Timóteo 1.6, 20; 3.3, 6; 5.17-25 provavelmente se poderia presumir que membros proeminentes da igreja - inclusive alguns com “complexo de superioridade” (pessoas “inchadas”) - estivessem entre os seguidores do erro; e
b. o próprio Timóteo, como já vimos, era por natureza pessoa de disposição muito oposta. Tudo indica ter sido uma pessoa com “complexo de inferioridade”. Era realmente difícil que um homem tal pudesse fazer frente a tal situação. Por isso, cerca do ano 63, Paulo, recentemente afastado de Éfeso onde deixara Timóteo, e estando então na Macedônia (I Tm 1.3), instrui Timóteo sobre como administrar os assuntos da igreja. Especificamente, escreve com o fim de:
(1) Fortalecer o espírito de Timóteo, lembrando-o do “dom” que havia recebido (I Tm 4.14), sua “boa confissão” (6.12) e o depósito que se lhe havia recomendado (6.20).
(2) Transmitir orientação com respeito ao crítico conflito contra os erros destrutivos da alma que estavam sendo difundidos na igreja de Éfeso, e exortar Timóteo que continuasse na “sã doutrina” (1.3-11; 1.18-20; cap. 4; cap. 6). Tal orientação se faria absolutamente necessária se a ausência do apóstolo se prolongasse (ver comentário sobre I Tm 3.14, 15). Em conexão com essa batalha contra a difusão do erro, ênfase é posta na importância da organização adequada: eleição do tipo adequado de líderes (especialmente anciãos e diáconos) e de admoestá-los caso se extraviem (cap. 3; cap. 2).
(3) Fornecer diretrizes para a conduta apropriada no culto publico (cap. 2). Voltando uma vez mais ao item 5, notamos que Paulo, então em Macedônia (Filipos?), também escreve a Tito, a quem deixara em Creta e a quem deseja ver em Nicópolis. A reputação dos cretenses não era boa. A necessidade de uma santificação total na vida congregacional, individual, familiar e publica tinha de ser enfatizada aqui mais que em qualquer outro lugar. Os anciãos que iriam ser designados deveriam ser “irrepreensíveis” (1.5, 6). Era necessário fechar a boca de indivíduos contumazes, loquazes fúteis e enganadores (1.10). Era preciso ensinar o povo (especialmente os membros da igreja!) a que se abstivesse dos desejos mundanos e viver sóbria, justa e piedosamente no mundo atual, esperando a gloriosa manifestação do Redentor (2.11-14). Na vida publica, deviam ser obedientes as autoridades e conduzir-se corretamente em relação a todos (3.1, 2). Os que provocavam divisões e eram impenitentes deviam ser disciplinados (3.10). Em contrapartida, os obreiros do evangelho que eram sinceros (como Zenas e Apolo), cujo itinerário podia incluir Creta, e que provavelmente levavam com eles a carta de Paulo endereçada a Tito, deviam receber toda assistência (3.13).

Consequentemente, a carta a Tito foi escrita com este tríplice propósito em mente:
(1) Insistir com Tito a ir ter com Paulo em Nicópolis, assim que um substituto houvesse assumido o trabalho em Creta (3.12).
(2) Encaminhar Zenas, o interprete da lei, e Apolo, o evangelista eloquente (3.13).
(3) Ministrar diretrizes para a promoção do espírito de santificação nas relações congregacionais, individuais, familiares e sociais. Desses três propósitos enunciados, o último é o que cobre um território mais amplo. Quando deixamos 1 Timóteo e Tito, e nos volvemos para 2 Timóteo, notamos imediatamente que toda a atmosfera sofre mudança. Quando escreveu 1 Timóteo e Tito, o apóstolo era um homem livre, que podia fazer planos de viagens. Quando escreve 2 Timóteo, ele é um prisioneiro que se acha face a face com a morte. Creta (Tt 1.5), Éfeso (I Tm 1.3), Macedônia (I Tm 1.3; cf. Fp 2.24) e Nicópolis (Tt 3.12) são os lugares mencionados nominalmente em 1 Timóteo e Tito (em conjunto), e formam uma rota facilmente traçável no mapa. Embora ninguém saiba se o apóstolo realmente passou por esses lugares, nessa ordem, todos terão de reconhecer que essa linha de viagem é natural. Mileto (2 Tm 4.20), Trôade (2 Tm 4.13), Corinto (2 Tm 4.20; cf. Rm 16.23) são lugares que Paulo visitou na viagem - ou nas viagens suposta em 2 Timóteo até chegar a Roma e a prisão final (cf. 2 Tm 1.8; 4.6). Aqui também, se a ordem em que delineamos essas estações for correta, a rota é lógica. Portanto, é natural presumir que a viagem a Espanha ocorreu entre essas duas viagens, ou seja, entre a rota suposta em 1 Timóteo e Tito, de um lado, e a que provavelmente 2 Timóteo indica, do outro. Pela razão apresentada, provavelmente seja incorreto dizer que Tito 3.12 e 2 Timóteo 4.21 se referem ao mesmo “inverno” e em seguida fixar, portanto, a data de Tito, situando-a o mais próxima possível de 2 Timóteo. E preciso lembrar que o apóstolo havia feito planos definidos quanto ao lugar onde ele, como um homem livre, passaria o inverno referido em Tito 3.12 (ou seja, Nicópolis). Nenhum dos planos era possível com respeito ao lugar onde Paulo, o prisioneiro, passaria o “inverno” referido em 2 Timóteo 4.21. Esses dois invernos não são o mesmo. Quando ele escreve 2 Timóteo, todo o quadro é diferente. Esse é o inverno do ano 65, 66 ou 67. É o último inverno de Paulo sobre a terra. O grande apóstolo, escrevendo da prisão na metrópole do mundo, estava em dúvida sobre se seu auxiliar chegaria a Roma antes de sua morte, e admoesta Timóteo a que, seja o que for que lhe aconteça, estivesse firme na sã doutrina e a defendesse incessantemente contra todo e qualquer adversário. Ainda que 2 Timóteo não declare onde se encontrava Timóteo quando foi escrita, não obstante há várias passagens que apontam para Éfeso. Assim Paulo diz a Timóteo saber ele que “todos os que estão na Ásia” o abandonaram (1.15). Se a pessoa a quem se dirige estava em Éfeso, que ficava na “Ásia”, é compreensível que teria de estar a par de tal situação. Semelhantemente, Paulo escreve que Timóteo “sabe melhor” que o apóstolo, ou “sabe muito bem” dos serviços que Onesíforo prestara, e admite que Timóteo “em Éfeso” (1.18) poderia levar as saudações de Paulo a família deste “portador de benefícios” (4.19). Há outra referência a Éfeso em 4.12: “Enviei Tito a Éfeso.” Além do mais, se Timóteo está vivendo em Éfeso, não lhe será difícil demais levar a capa que Paulo deixara “em Trôade, em casa de Carpo” (4.13). De modo algum nos surpreenderia encontrar Priscila (ou Prisca) e Áquila (4.19) de volta a Éfeso (embora não se mencione o lugar), onde viveram anteriormente (At 18.18, 19, 24, 26; cf. I Co 16.19). É verdade que depois de sua estada em Éfeso voltaram a Roma (Rm 16.3), mas não é de estranhar que, havendo uma furiosa perseguição em Roma, tenham abandonado novamente a capital. Anteriormente e por razões semelhantes, haviam deixado a Itália (At 18.2). Um ponto adicional na evidência circunstancial que associa Timóteo com Éfeso quando essa carta foi escrita e a natureza da heresia a qual é aqui condenada (ver  2 Tm 2.14-18). Até certo ponto ela se assemelha àquela denunciada em 1 Timóteo (dirigida a Timóteo enquanto estava em Éfeso, I Tm 1.3). Então, poderíamos presumir que Timóteo ainda não havia saído de Éfeso, onde o erro e a perseguição aos crentes grassavam (1.8; 2.3, 12, 14-18, 23; 3.8, 12).
Consequentemente, é possível resumir assim o propósito de Paulo ao escrever 2 Timóteo:
(1) Solicitar que Timóteo fosse a Roma o mais depressa possível em vista da iminente partida do apóstolo desta vida (4.9, 21; cf. 4.6-8).
(2) Admoestá-lo a persistir na sã doutrina, defendendo-a contra todo e qualquer erro e suportando as dificuldades como bom soldado. Este segundo item é característico de toda a carta.
William Hendriksen, 1 Timóteo, 2 Timóteo e Tito, São Paulo: Cultura Cristã, 2001, p. 191-6 (Comentário do Novo Testamento)

Comentário Sobre Tito
ESBOÇO DE TITO
Tema: O Apóstolo Paulo, Escrevendo a Tito, Ministra Diretrizes para a Promoção do ESPÍRITO de Santificação
Capítulo 1: Na Vida Congregacional.
A. Destina..o e Saúda-o.
B. Deve-se designar presbíteros bem qualificados em todas as cidades.
C. Razão: Creta não tem escassez de pessoas de muita reputação, as quais necessitam ser repreendidas com toda seriedade.
Capítulo 2: Na Vida Familiar e Individual.
A. Todas as classes de indivíduos que compõem o círculo familiar devem conduzir-se de tal maneira que, por meio de sua vida, possam adornar a doutrina de DEUS, seu Salvador.
B. Razão: A graça de DEUS se manifestou a todos para a santificação e para a jubilosa expectativa do aparecimento em glória de nosso grande DEUS e Salvador,
JESUS CRISTO.
Capítulo 3: Na Vida Social (ou seja, Pública).
A. Os crentes devem obedecer as autoridades. Devem ser amáveis para com todos os homens, visto que foi a bondade de DEUS nosso Salvador, não nossas obras, o que nos trouxe a salvação.
B. Em contrapartida, é preciso evitar as questões néscias e os homens facciosos que se negam a prestar atenção às admoestações.
C. Instruções finais com respeito a itinerantes em prol do reino (Artemas ou Tíquico, Tito, Zenas, Apolo) e a crentes cretenses em geral. Saudações.
William Hendriksen, 1 Timóteo, 2 Timóteo e Tito, São Paulo: Cultura Cristã, 2001, p. 191-6 (Comentário do Novo Testamento)

2 TIMÓTEO2 Timóteo 3.14. Paulo agora receita o remédio soberano contra serem enganados por tais charlatães, diz, a adesão leal à mensagem do evangelho em contraste com as novidades imaginativas (cf. 2: 16) que vã'o mercadejando.Tu, porém, diz ele, contrastando Timóteo com os enganadores especiosos que acaba de mencionar, permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado. Sua confiança nestas verdades devia ter uma base dupla. Primeiramente, sabe de quem (o pronome está no plural no Grego) o aprendeste. Estas verdades da tradição cristã' foram transmitidas a ele, não por aventureiros individualistas sagazes, para os quais ninguém pode ser fiador a não ser eles mesmos, mas, sim, por sua mãe e avó (cf. 1: 5), o próprio Apóstolo, e outras testemunhas de fidedignidade comprovada; e deu seu assentimento firme a elas.
2 Timóteo 3.15. O segundo motivo para sua cobrança deve ser a sólida base que recebeu na Escritura; desde a infância, conforme muito bem sabe, tem tido familiaridade com as sagradas letras. Esperava-se dos pais judeus que ensinassem aos seus filhos a Lei desde a idade de cinco anos. A expressão as sagradas letras (Gr. hiera grammata) é achada somente aqui na Bíblia, onde o substantivo que denota a Escritura é normalmente
graphe (singular ou plural). Os comentaristas têm feito esforços desnecessários para excogitar as razões para sua escolhia na presente passagem, e a teoria menos plausível é que o plural abrange especificamente os escritos cristãos, inclusive as cartas do próprio Paulo, bem como o A.T. Aqueles que adotam este ponto de vista acreditam que o escritor pertencia à segunda quarta parte do século 11, e que, portanto, deve-se esperar uma referência à literatura cristã' autorizada. Mesmo com esta pressuposição, no entanto, (a) nada há na frase que dê a mínima sugestão dos escritos cristãos, e (b) é incrível. que o escritor, que, segundo se supõe, está fazendo o melhor que pode para representar o Apóstolo lembrando Timóteo da educação que recebeu na sua juventude, caísse num anacronismo tão desajeitado.
Realmente, por sagradas letras Paulo quer dizer, é lógico, o A.T.; há evidência abundante de que esta era uma designação clássica para ele no judaísmo de fala grega (cf. Filo e Josefo). A ausência do artigo definido no Grego confirma que é usado de modo técnico. Seu uso da frase, no lugar da palavra mais usual graphé, está de acordo com sua predileção (ou a do seu amanuense) nestas cartas por uma linguagem idiomática mais rabínica. O A.T. era a única Escritura canônica para os cristãos bem como para os judeus na era apostólica, e por várias gerações depois. lrineu (c. de 180) foi o primeiro escritor a falar inequivocamente de um"Novo Testamento"; mas em data tão recuada quanto 2 Pe 3: 15-16, as cartas de Paulo estavam sendo classificadas com"as demais Escrituras," ao passo que para Inácio (c. de 110)"o evangelho" era uma autoridade equivalente a"os profetas" (e.g. Smym. v.l; vii. 2).
A razão porque os livros do A.T. são tão preciosos é porque podem tomar-te sábio para a salvação pela fé em CRISTO JESUS. Noutras palavras, transmitem, não simples fatos nem mesmo história sagrada, mas, sim, uma revelação do propósito salvífico de DEUS. A"sabedoria" referida ( o Grego tem o verbo: tomar-te sábio) é o profundo entendimento ou domínio que o crente normalmente possui, e é contrastada com a insensatez dos mestres do erro, estigmatizada no v. 9. E esta apreensão vem pela fé em CRISTO JESUS. A chave à Escritura é CRISTO, e esta nada pode dizer aos homens até que O tenham recebido como Salvador e Senhor. Este, no cômputo geral, é o sentido mais provável das palavras finais, embora muitos prefiram entendê-Ias mais estreitamente com salvação. Segundo este ponto de vista, Paulo está enfatizando que a salvação sobre a qual o A.T. instrui os homens somente pode ser obtida mediante uma fé viva em CRISTO.
2 Timóteo 3.16. Paulo desenvolve sua doutrina do valor do A.T. numa frase que os comentaristas têm achado ambígua e frustradora. Toda Escritura, declara ele, é inspirada por DEUS e útil. . . Não precisa haver hesitação acerca do substantivo (Gr. graphé), pelo menos no que diz respeito à sua referência geral. Embora literalmente signifique"escrito" ou"livro" e possa concebivelmente abranger escritos ou livros em geral, tanto o contexto quanto o uso no N. T. requerem que tenha o sentido mais restrito de Escritura, i.é, o A.T. Muito mais difícil é a expressão total (Gr. posa graphe), traduzida aqui Toda Escritura. No singular, graphe pode denotar
(a) um livro da Escritura,
(b) a Escritura na sua totalidade (e.g. GI 3:8,22; Rm 11:1; cf. também 1 Tm 5:18), ou
(c) uma passagem específica da Escritura (e.g. Mc 12: 10; Jo 19:37; 20:9; At 8:35). O primeiro uso, freqüente no judaísmo helenístico, falta inteiramente no N.T., e provavelmente estamos justificados em exclui-Io aqui. Muitos preferem o segundo; e traduzem Toda Escritura, e a favor disto há o fato de que o Apóstolo está claramente pensando do A.T. na sua inteireza. Do outro lado, não há artigo definido no Grego aqui, e onde pas (="todo" ou"cada") é empregado com um substantivo no singular sem o artigo, usualmente significa"cada" ao invés de"totalidade" ou"todo." O problema é complicado pelo fato de que não podemos ter certeza quão rigorosamente este dogma foi observado no koine no século I, mas o equilíbrio do argumento parece favorecer Toda Escritura. Tendo falado de modo geral das sagradas letras, Paulo talvez agora esteja ansioso para enfatizar a importância delas em todas as passagens individuais que perfazem a totalidade.
Tem havido, também, muita discussão acerca da construção da frase, pois não há verbo que corresponde a"é" no original. Visto que a partícula traduzida"é" tem o significado alternativo de"também," inspirada por DEUS pode ser interpretado ou como predicado conforme supra, ou como um adjetivo qualificador ("Toda Escritura inspirada.é também útil. . .''). Os comentaristas que favorecem esta última interpretação argumentam que uma afirmação direta da inspiração .da Escritura está fora de lugar aqui, visto que Timóteo presumivelmente nunca a duvidara e o objetivo de Paulo é ressaltar a utilidade do A.T. Mesmo assim, uma lembrança da sua origem divina é perfeitamente apropriada numa passagem que visa impressionar sobre seu discípulo o valor dela, tanto como a a1:1tenticaçio da mensagem cristã quanto como um instrumento pastoral. Uma decisão não é fácil, mas como apoio para a versão adota. da pode ser argumentado que
(a) parece natural, na ausência de um verbo, analisar os dois adjetivos da mesma maneira;
(b) que a construção da frase é exatamente paralela com a de 1 Tm 4:4, onde os dois adjetivos são predicativos;
(c) que se inspirada por DEUS fosse atributivo, deveríamos, nas circunstâncias, esperar que fosse colocado antes de Escritura, e, além do mais,"também" não teria razão de ser; e
(d) que"Toda Escritura inspirada" parece conter uma insinuação que certas passagens da Escritura não são inspiradas.
O adjetivo traduzido - inspirada por DEUS (Gr. tneopneutos) não ocorre em qualquer outra parte da Bíblia Grega, mas é achado quatro vezes na literatura grega pré-cristã' e nos Oráculos Sibilinos. Significa literalmente ''soprado para dentro por DEUS:' e expressa com exatidão o conceito da inspiração do A. T. que prevalecia entre os judeus do século I (cf. Josefo, C Ap:i. 37 ss.;Filo,Spec.leg. i. 65; iv.49; Quisrer, div. 263 ss.). A igreja o adotou na sua inteireza, conforme vemos na declaração em 2 Pe 1:21 de que, na profecia,"homens santos falaram da parte de DEUS movidos pelo ESPÍRITO SANTO."
- Porque o próprio DEUS fala através dele, o A.T. é pastoralmente útil para o ensino, i.é, como fonte positiva de doutrina cristã' (cf. o hábito de Paulo de constantemente reforçar sua mensagem com citações bíblicas); para a repreensão, i.é para refutar o erro e para repreender o pecado; para a correção, para convencer os mal-orientados dos seus erros e de colocá-Ios no caminho certo outra vez; e para a educação na justiça, i.é, para a educação construtiva na vida cristã'. A palavra traduzida justiça (Gr. dikaiosune) também significa"retidão;" para este sentido, cf. 2:22; 1 Tm 6: 11 - também Rm 14: 17; 2 Co 6: 14; 11: 15.
2 Timóteo 3.17. Se. a Escritura ê usada de todas estas maneiras, preenche uma função específica, fazendo com que o homem de DEUS seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra. A cláusula ê introduzida por a fim de que (Gr. hina), que no Grego clássico normalmente expressa propósito, mas que no koine freqüentemente era usado para denotar resultado. O último sentido parece preferível aqui. A frase homem de DEUS poderia designar os cristãos em geral, mas o contexto e o uso deliberado do singular confirmam que, como em 1 Tm 6: 11 (ver a nota ali), Paulo está pensando especificamente do líder cristão. Com a ajuda de um treinamento sadio na Escritura toma-se perfeitamente adaptado à sua tarefa, e pode enfrentar de modo firme as suas responsabilidades. As palavras finais repetem a ênfase dada às obras caridosas que é um aspecto tão destacado destas cartas: ver nota sobre 1 Tm 2: 10; cf. também Tm5:10;2Tm2:21; Tt3:1; etc.
I e II Timóteo e Tito - Introdução e Comentário - J.N.D.Kelly - Série Cultura Bíblica - edições 1983,1986, 1991 - Sociedade Religiosa Edições Vida Nova e Associação Religiosa Editora Mundo Cristão - SP
TITO - CONSELHOS PARA CATEGORIAS DIFERENTES DE CRISTÃOS 2: 1-10
Tendo feito provisões para a nomeação de ministros apropriados, e tendo deixado Tito de sobreaviso contra os sectários subversivos, Paulo volta-se para o supervisão pastoral das próprias comunidades cretenses. Como nas passagens correspondentes em Cl 3: 18 - 4: 1 e Ef 5:22 - 6:9, divide-as em grupos, embora a divisão aqui seja baseada na idade, no sexo, e na posição social ao invés da família. Como noutros lugares, parece que está adaptando listas correntemente aceitas de qualidades admiráveis. Ao requerer de cada um dos grupos que observe um alto padrão de conduta, está preocupado tanto com a boa reputação da igreja quanto com o avanço do evangelho num ambiente de moralidade duvidosa.
Tito 2.1. Suas palavras iniciais, Tu, porém, (Gr. Su de: lit. ''Mas tu"), são enfáticas. Os falsos mestres fustigados na seção anterior têm desviado as pessoas; a linha seguida por Tito deve ser exatamente a oposta. Destarte, seu ensino deve ser o que convém à sã doutrina, em contraste com as"fábulas" e os mandamentos dos homens dos sectários. Para sã doutrina, cf. 1:9; ver também nota sobre 1 Tm 1:10. O conselho de Paulo vai ser rigorosamente prático, mas n[o oculta sua convicção de que a base do bom comportamento é a crença correta.
Tito 2.6, 7. O tom de Paulo torna-se mais severo quando chega aos moços. Exorta-os, pede a Tito, empregando o imperativo pela primeira vez, para que. . . sejam criteriosos ("exerçam controle-próprio"). Mais uma vez temos esta qualidade que é tão prezada nas Pastorais (ver sobre 1 Tm 2:9), pois o verbo aqui usado (Gr. sõphronizein) tem relacionamento com o adjetivo (Gr. sõphrõn) traduzido"sensato" nos vv. 2 e 5. Não fica totalmente claro. se a expressão em todas as coisas deva ser tomada com este infinitivo ou com a frase que se segue. Qualquer destas maneiras é gramaticamente possível, mas a primeira parece preferível (a) porque as palavras então indicam o largo escopo do"controle-próprio" exigido, e (b) porque a segunda pessoa no singular, ter, na cláusula seguinte, volta então a reaver sua verdadeira ênfase.
Paulo sabe que a pregação por si mesma terá pouca utilidade; Tito terá mais probabilidade de conseguir fazer o efeito desejado se se mostrar padrão de boas obras ("boa conduta"). O acento aqui, conforme já foi sugerido, recai fortemente sobre te; Tito ainda é relativamente jovem, e, destarte, sua maneira de comportar-se deve ter influência sobre os jovens. Para a insistência do Apóstolo de que o líder cristão deve pessoal mente dar o exemplo, ver sobre 1 Tm 4: 12.
10. Não somente os escravos devem ser obedientes aos seus senhores, como também devem"dar-lhes satisfação sem responder nem furtar" - dando-lhes motivo de satisfação; não sejam respondões, não furtem. Devem cumprir seus deveres com um desejo positivo de agradar, pensando na sua posição de cristãos mais do que de escravos, O verbo traduzido furtar (Gr. .nesphizesthai) literalmente significa"separar," ou"colocar de lado," e assim fica sendo um eufemismo para.o furto em pequena escala ou o quieto aproveitamento dalgumas vantagens indevidas. Longe de descer àquele nível, o escravo cristão deve esforçar-se para exibir prova de toda a fidelidade.
No fim, Paulo dá a razão profundamente cristã porque os escravos devam manter este alto padrão de conduta, :e urna razão que demonstra que compartilham, igualmente com seus senhores, da tarefa suprema de honrar a DEUS nas suas vidas, à qual a igreja inteira é dedicada - a fim de ornarem, em todas as coisas, a doutrina de DEUS, nosso Salvador. Noutras palavras, seu comportamento obediente ajudará a fazer a mensagem cristã atraente e nobre, e assim a recomendará ao mundo externo. Para DEUS, nosso Salvador (característica das Pastorais).
I e II Timóteo e Tito - Introdução e Comentário - J.N.D.Kelly - Série Cultura Bíblica - edições 1983,1986, 1991 - Sociedade Religiosa Edições Vida Nova e Associação Religiosa Editora Mundo Cristão - SP
DESGRAÇAS DOS ÚLTIMOS DIAS. 3: 1-9
I. Como em 1 Tm 4: 1 ss (ver as notas ali), Paulo agora relembra a Timóteo (Sabe, porém, isto) acerca da convicção cristã primitiva de que o período que antecederia a volta de CRISTO seria de crise agonizante, envolvendo um colapso de padrões morais. Visto que está fazendo uso de matéria profética corrente na igreja, naturalmente emprega o tempo do futuro, mas logo toma-se aparente que sua atenção está fixa no presente, quando aquelas predições estão sendo por demais exatamente cumpridas. Sua lição é que Timóteo, longe de ficar desanimado, deve ficar de sobreaviso, e, em certo sentido, até mesmo estimulado, pelas evidências ao seu redor da má conduta e da fé religiosa insatisfatória, que o Apóstolo classifica juntas, visto que todas fazem parte do padrão dos eventos que foi profetizado.
Para a expressão Nos últimos dias, cf. At 2:17; Tg 5;3; 2 Pe.3:3; Jd 18. Não é achada nas Paulinas reconhecidas (mas cf. 1 Tm 4: 1:"nos últimos tempos"), denota o período pouco antes da Paurosia e do fim da era presente. A igreja apostólica acreditava que o próprio CRISTO predissera que estes eventos seriam introduzidos por uma crise do mal, inclusive a emergência, de impostores religiosos e uma apostasia geral (Mt 24; Mc 13; Lc 21), e a apocalíptica judaica previu um colapso total da moralidade diante da vinda do. Messias. Paulo, portanto, pode aceitar como verdade estabelecida (cf. 2 Ts 2:3-12) de que sobrevirão tempos difíceis, i.é, penosos e perigosos para os servos verdadeiros de DEUS, e a situação deplorável em Éfeso parece fornecer confirmação empírica (experimental, acontecendo na sua época) do fato.
- É também ensino tradicional judaico ao invés de ser a diatribe helenística.

2. Paulo começa com uma declaração generalizante de que os homens serão vis de várias maneiras. Não está pensando primeiramente de grupos específicos, mas, sim, está dando expressão aos prenúncios apocalípticos de um repúdio geral à lei, à decência, e à afeição natural. Destarte, os adjetivos egoístas e avarentos (lit."amantes de si mesmos" e"amantes do dinheiro") têm, igualmente, o prefIxo phil- em Grego: Pode ser notado que o catálogo é encerrado com um par construído de modo semelhante: amigos dos prazeres e amigos de DEUS. Estes pares fornecem a chave dos demais, visto que a corrupção moral completa tende a ser o resultado quando os homens abandonam a DEUS para ficarem ocupados com o próprio-eu e a satisfação material. Para o conceito do dinheiro como uma causa radical do mal, cf. 1 Tm 6: 10.
O segundo par, jactanciosos, arrogantes, expressam aspectos deferentes, porém correlatos, do orgulho que brota do egocentrismo. Jactanciosos tem a ver com palavras, gestos, e o comportamento externo, e arrogantes, com sentimentos interiores. Os dois adjetivos aparecem juntos em Rm 1 :30. O terceiro par, blasfemadores, desobedientes aos pais, abrangem conduta desnaturada com relação a outras pessoas e à própria família, respectivamente. O último destes vícios figura também em Rm 1:30.

3,4. Os dois membros do quarto par, ingratos, irreverentes, têm o prefixo adversativo"a" - no original, assim como têm desafeiçoados, implacáveis. O adjetivo desafeiçoado (Gr. astorgos) conota a falta de toda a afeição natural; é achado somente aqui e em Rm 1 :31 no N. T. A palavra grega traduzida implacável (aspondos) deriva de sponde (="trégua"), e assim denota um homem que não consegue entender-se com outras pessoas.
Os epítetos seguintes, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, pintam um quadro terrível dos homens que, embora tenham se afundado até ao nível dos instintos animais, permanecem suficientemente humanos para reconhecerem a verdade e a bondade e para serem animados pelo ódio para com elas. As duas últimas expressões têm o prefixo adversativo em Grego, e assim formam um par, Assim acontece também com traidores, atrevidos, sendo que as duas palavras têm o mesmo prefixo grego, pro-. É possível que traidores dê um indício da disposição dos sectários para trair seus irmãos, e até mesmo dar informações contra eles; mas não ficamos sabendo noutros lugares de problemas entre a igreja e a autoridade civil, e não é necessário que cada item no catálogo, que em grande parte é convencional, deva ter uma referência exata. O homem que é atrevido não se detém diante de nada para obter seus propósitos.

5. Com enfatuados, antes amigos dos prazeres que amigos de DEUS, a lista talvez pareça completa, mas o Apóstolo interpõe, como clímax, a cláusula pungente: tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. É claro que agora deixou as generalizações do catálogo convencional, e que está fixando sua atenção na conduta e atitude reais dos mestres do erro em Éfeso. Sua acusação contra eles é mais do que uma de simples hipocrisia. Fazem uma grande demonstração do cristianismo, e estão ativos em pregar e praticar aquilo que, segundo o conceito deles, é a fé verdadeira. Mas ao passo que o evangelho autêntico é uma força regeneradora, a qualidade desregrada da vida deles comprova que, para todos os fins práticos, o rejeitaram. Para uma acusação semelhante, cf. Tt 1: 16. A palavra aqui traduzida forma (extra) (Gr. morphõsis) é usada por Paulo em Rm 2:20 (talvez a esteja tirando emprestada de um contexto rabínico) com o sentido algo diferente de"incorporação visível."
Não admira que Timóteo é admoestado: Foge também destes.
O âmbito da predição apocalíptica agora é completamente abandonado, e Paulo não oculta o fato de que está falando dos sectários. O verbo (Gr. apotrepesthai) é enfático, e subentende que Timóteo deve evitá-los com horror. A referência não diz respeito tanto aos seus relacionamentos pessoais com eles (Já foi instruído, em 2:24-25, que deve ser bondoso com todos) quanto à sua atitude oficial.
6, 7. Pessoas como estas, Paulo continua, são as que penetram sorrateiramente nas casas e conseguem cativar mulherinhas. Apesar da sua ironia mordaz, está desenhando um quadro vivo das táticas da propaganda religiosa. Visto que as mulheres na Antiguidade eram, de modo geral, confinadas ao lar, foi por métodos semelhantes a estes que o cristianismo ortodoxo conseguiu uma base segura na sociedade pagã no mundo greco-romano; foi, no entanto, infeliz o fato de que pudessem ser explorados com sucesso pelo menos igual pelas formas falsificadas do cristianismo. A menção de mulherinhas ("mulheres tontas") (Gr. gunaikaria: um diminutivo de desprezo) também é um toque vívido. Paulo tem, sem dúvida, casos concretos em mente, e isto explica seu tom de desprezo; mas o fato permanece que as mulheres, com sua abordagem mais intuitiva e receptiva, são especialmente suscetíveis, em todas as eras, ao proselitismo, seja mau, seja bom.
Com verdadeiro entendimento psicológico, Paulo observa que estas criaturas sem valor, conforme ele as representa, caem como vítimas fáceis às manhas dos falsos mestres enquanto estão sobrecarregadas de pecados, conduzidas de várias paixões. Embora seu objeto imediato seja fustigar as falhas de indivíduos específicos, é um truísmo que as mulheres, e, naturalmente, os homens também, estão mais prontas a abraçar o evangelho na sua forma autêntica, mas também, lastimavelmente, na sua forma pervertida, quando têm mais consciência da sordidez e futilidade das suas vidas. As mulheres em epígrafe, no entanto, padecem, além da instabilidade que freqüentemente acompanha o diletantismo religioso. Conforme Paulo alega, aprendem sempre, i.é, com curiosidade ávida e talvez mórbida acerca da religião, e dispostas a enamorar-se de qualquer teoria nova que lhes é proposta, mas, visto que lhes falta um propósito sério e estão sendo simplesmente atraídas pela novidade por si só, revelam que jamais podem chegar ao conhecimento da verdade.

8. Com a menção da verdade, que no uso dele representa o evangelho autêntico, Paulo volta aos falsos mestres, declarando que eles, na realidade, resistem à verdade, e o fazem exatamente do modo por que Janes e Jambres resistiram a Moisés. Estas personagens eram dois dos mágicos de Faraó que procuravam demonstrar que eram tão eficazes como Moisés quanto à operação de milagres (Êx 7:11; 9: 11 ). Seus nomes não ocorrem no A.T., nem são mencionados por Filo ou Josefo, mas há referências a eles nos documentos de Cunrã bem como na literatura judaica e pagã posteriores, e na literatura cristã primitiva. A lenda acerca de Moisés passou por grandes elaborações no judaísmo posterior, e seus detalhes eram evidentemente largamente conhecidos nos círculos cristãos do século I (e.g. At 7:22-23, 53; 1 Co 10:2; GI 3:19; Hb 2:2; Jd 9), Destarte, a comparação feita por Paulo entre os hereges de Éfeso e os dois mágicos mal-fadados provavelmente era uma flecha eficaz. Além disto, é coerente com o tratamento tipológico do A.T. que ele compartilhava com outros cristãos do século I, segundo o qual as experiências de Israel no Egito e no deserto eram um tipo de antecipação divinamente ordenada daquelas da igreja.
É possível, mas provavelmente enganoso, detectar por detrás da comparação de Paulo uma insinuação de que os sectários eram culpados de práticas mágicas. A soma da condição deles, acrescenta como mal, é que São homens de todo corrompidos na mente, réprobos quanto à fé ("cuja fé não passou o teste"). Para a primeira metade desta discrição, cf. 1 Tm 6:5. Na segunda metade, fé tem o artigo definido, e, portanto, provavelmente conota, como tão freqüentemente nestas cartas (ver 1 Tm 3: 9), o conteúdo da crença.

9. A diatribe pessimista de Paulo termina numa - mais confiante. Os falsos mestres, ele sente certeza, não irão avante (para o verbo, Gr. prokoptein ="fazer progresso," cf. 2: 16 supra). As tentativas deles de se imporem sobre as pessoas talvez tenham sido bem-sucedidas por enquanto, mas uma parada logo será ordenada a eles. Alternativamente, poderemos desconsiderar a força comparativa das palavras traduzidas avante ou"mais longe" (Gr. epi :pleion) e traduzir"não irão longe;" mas das duas versões possíveis,"mais longe" parece mais aplicável. O desfecho virá quando sua insensatez, i.é, a falsidade, e, realmente, a pura estultícia das suas doutrinas (cf. corrompidos na mente no v. 8) será a todos evidente. O Apóstolo está convicto de que isto deve acontecer, visto que a daqueles, i.é, de Janes e Jambres, que foram prefigurações deles, foi desmascarada, com toda a sua impostura. O desmascaramento deles é mencionado de forma breve em Êx 7: 12-13; 9: 12, mas era provavelmente descrito com detalhes elaborados na lenda de Moisés.
Série Cultura Bíblica - I e II Tim e Tito - J.N.D.Kelly - Vida Nova e Novo Mundo - São Paulo - SP - 1991

RESUMO
NOS ÚLTIMOS DIAS... TEMPOS TRABALHOSOS. Os últimos dias incluem a era cristã na sua totalidade. Paulo, porém, profetiza pelo ESPÍRITO SANTO (cf. 1 Tm 4.1) que as coisas se tornarão piores à medida que o fim se aproximar (cf. 2 Pe 3.3; 1 Jo 2.18; Jd 17,18).
(1) Os últimos dias serão assinalados por um aumento cada vez maior de iniquidade no mundo, um colapso nos padrões morais e a multiplicação de falsos crentes e falsas igrejas dentro do reino de DEUS (Mt 24.11,12; ver 1 Tm 4.1). Esses tempos serão espiritualmente difíceis e penosos para os verdadeiros servos de DEUS.
(2) Paulo faz essa advertência a fim de reanimar os obreiros que, com suas igrejas, permanecerem leais a CRISTO e à sua revelação. A plena bênção da salvação em CRISTO e o poderoso derramamento do ESPÍRITO SANTO continuarão à disposição dos que permanecem leais à fé e à prática dos ensinos do NT. A apostasia na igreja redundará em mais graça e poder para os que se mantiverem firmes na fé original que foi entregue aos santos (At 4.33; Rm 5.20; Jd 3)

AMANTES DE SI MESMOS. Paulo apresenta uma lista de pecados que têm suas raízes no amor próprio (vv. 2-4). Alguns, hoje, ensinam que a falta do amor a si mesmo (amor-próprio) é a raiz do pecado. A revelação bíblica ensina o contrário.

SEM AFETO NATURAL. Nos últimos dias, o crente deve estar disposto a enfrentar um volume esmagador de impiedade.
(1) O apóstolo profetiza que Satanás promoverá uma grande destruição na família. Os filhos serão"desobedientes a pais e mães" (v. 2), e os homens e mulheres não terão afeto natural (gr. astorgoi). Esta expressão pode ser traduzida"sem afeição à família", e refere-se ao desaparecimento dos sentimentos de ternura e amor naturais; falta esta demonstrada por uma mãe que rejeita os filhos, ou mata seu bebê; por um pai que abandona a família, ou os filhos que negligenciam os devidos cuidados para com seus pais idosos (ver Lc 1.17).
(2) Os homens e mulheres passarão a amar idolatradamente o dinheiro e os prazeres, e estarão sempre em busca disso para a satisfação de seus desejos egoístas (v. 2). Ser pai ou mãe, com suas responsabilidades e encargos, e amor sacrificial na criação de filhos, já não será considerado missão nobre, nem dignificante (vv. 2-4). Pais amorosos darão lugar, cada vez mais, a pais egoístas e desumanos que abandonarão seus filhos (cf. Sl 113.9; 127.3-5; Pv 17.6; Tt 2.4,5; ver 2 Tm 4.3,4 -). (3) Se os pais cristãos quiserem preservar suas famílias nos tempos difíceis dos últimos dias, devem hoje protegê-las contra as práticas infames da sociedade em que vivem (Jo 21.15-17; At 20.28-30), separá-los dos costumes sórdidos do mundo e evitar que os ímpios influenciem seus filhos (At 2.40; Rm 12.1,2). Os pais precisam aceitar o plano de DEUS para a família (ver Ef 5.21-25), e não proceder como os ímpios (Lv 18.3-5; Ef 4.17). Eles, e suas famílias, realmente precisarão ser como forasteiros e peregrinos na terra (Hb 11.13-16).

TENDO APARÊNCIA DE PIEDADE. Paulo se refere àqueles que dizem ser crentes, e, aparentam santidade, porém, não demonstram que foram libertos por DEUS, do pecado, do egoísmo e da imoralidade. Tais pessoas toleram a imoralidade nas suas igrejas e ensinam que é possível praticar os pecados citados nos versículos 2-4 e, ao mesmo tempo, serem crentes (cf. vv. 5-9; 4.3,4; 2 Pe 2.12-19; ver 1 Co 6.9 -).

FALSOS MESTRES
Mc 13.22: “Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas e farão sinais e prodígios, para enganarem, se for possível, até os escolhidos”;.
DESCRIÇÃO. O crente da atualidade precisa estar informado de que pode haver, nas igrejas, diversos obreiros corrompidos e distanciados da verdade, como os mestres da lei de DEUS, nos dias de JESUS (Mt 24.11,24). JESUS adverte, aqui, que nem toda pessoa que professa a CRISTO é um crente verdadeiro e que, hoje, nem todo escritor evangélico, missionário, pastor, evangelista, professor, diácono e outros obreiros são aquilo que dizem ser.
(1) Esses obreiros “exteriormente pareceis justos aos homens” (Mt 23.28). Aparecem “vestidos como ovelhas” (Mt 7.15).
(2) Todavia, esses homens são semelhantes aos falsos profetas dos tempos antigos (ver Dt 13.3; 1Rs 18.40; Ne 6.12; Jr 14.14; Os 4.15 ), e aos fariseus do NT.

A PROVA. Quatorze vezes nos Evangelhos, JESUS advertiu os discípulos a se precaverem dos líderes enganadores (Mt 7.15; 16.6,11; 24.4,24; Mc 4.24; 8.15; 12.38-40; 13.5; Lc 12.1; 17.23; 20.46; 21.8). Noutros lugares, o crente é exortado a pôr à prova mestres, pregadores e dirigentes da igreja (1Ts 5.21; 1 Jo 4.1). Seguem-se os passos para testar falsos mestres ou falsos profetas:
(1) Discernir o caráter da pessoa. (Gl 5.22,23), (Jo 3.16), (Hb 1.9) e (Mt 23; Lc 3.18-20)?
(2) Discernir os motivos da pessoa. (2Co 8.23; Fp 1.20); (At 26.18; 1Co 6.18; 2Co 6.16-18); (1Co 9.19-22); (Fp 1.16; Jd 3).
(3) Observar os frutos da vida e da mensagem da pessoa. (Mt 7.16).
(4) Discernir até que ponto a pessoa se baseia nas Escrituras. (2Jo 9-11)?
(5) Finalmente, verifique a integridade da pessoa quanto ao dinheiro do Senhor. (1Tm 3.3; 6.9,10).
Apesar de tudo que o crente fiel venha a fazer para avaliar a vida e o trabalho de tais pessoas, não deixará de haver falsos mestres nas igrejas, os quais, com a ajuda de Satanás, ocultam-se até que DEUS os desmascare e revele aquilo que realmente são.

RESISTEM À VERDADE. Uma das coisas que identifica o falso mestre na igreja é a sua oposição às verdades básicas do evangelho, ou sua indiferença para com elas (ver 1 Tm 4.1).
BEP - CPAD - Em CD

PARA REFLETIR - A respeito das Cartas Pastorais:Quais as epístolas estudaremos neste trimestre?1 e 2 Timóteo e Tito.
Quem escreveu as cartas a Timóteo e Tito?Elas foram escritas por Paulo.
Em que data, aproximadamente, foi escrita a Primeira Epístola de Timóteo?Foi escrita no ano de 64 d. C. (aproximadamente).
Quais eram os propósitos de 1 e 2 Timóteo e Tito? Orientar os líderes quanto à vida pessoal e combater as heresias.
De acordo com a lição, o líder é quem manda ou quem serve?O líder cristão não é o que"manda", mas o que serve. Não é o maior, e sim o menor.

CONSULTE
Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 63, p. 37. - Você encontrará mais subsídios para enriquecer a lição.

SUGESTÃO DE LEITURA
Uma Pedagogia para a Educação Cristã
Guia do Leitor da Bíblia
Comentário Bíblico - Epístolas Paulinas

Questionário Lição 1 - Uma Mensagem à Igreja Local e à Liderança3º trimestre de 2015 - A Igreja E O Seu Testemunho - As Ordenanças De CRISTO Nas Cartas PastoraisComentarista da CPAD: Pr. Elinaldo Renovato de LimaComplementos, ilustrações, questionários e vídeos: Ev. Luiz Henrique de Almeida Silva
Complete os espaços vazios e marque com"V" as respostas Verdadeiras e com"F" as Falsas, conforme a revista da CPAD.

TEXTO ÁUREO
1- Complete:
"Ninguém despreze a tua _________________________; mas sê o _________________________ dos fiéis, na palavra, no trato, no amor, no espírito, na __________________, na pureza." (1 Tm 4.12)
VERDADE PRÁTICA2- Complete:As cartas __________________________ reúnem __________________________ à liderança cristã e aos membros em geral para que vivam conforme a __________________________ de Deus
 
    I - AS EPÍSTOLAS PASTORAIS3- O que são cartas pastorais (1 e 2 Timóteo e Tito)?(    ) São cartas dirigidas pelo pastor Paulo aos diáconos da Igreja.
(    ) As três epístolas que estudaremos são chamadas de cartas pastorais, e isso se deve ao fato de terem sido elas endereçadas a dois jovens pastores: Timóteo e Tito.(    ) Foram escritas por Paulo, um líder itinerante, que estava preocupado com os jovens pastores.(    ) Ele os instrui de modo cuidadoso a respeito do trato com a Igreja e com seus ministérios.4- Em que datas foram escritas as cartas pastorais (1 e 2 Timóteo e Tito)?(    ) A Primeira Epístola a Timóteo foi escrita por volta de 60 d. C., entre a primeira e a segunda prisão de Paulo, e enviada de Roma ou da Macedônia (talvez Éfeso).(    ) A Primeira Epístola a Timóteo foi escrita por volta de 64 d. C., entre a primeira e a segunda prisão de Paulo, e enviada de Roma ou da Macedônia (talvez Filipos).(    ) Em seguida, por volta de 65 d. C., foi escrita a Carta a Tito.(    ) Já a Segunda Epístola a Timóteo foi escrita em torno de 67 d. C., quando do segundo encarceramento do apóstolo, e antes de sua morte.(    ) A segunda Epístola a Timóteo faz parte das "cartas da prisão", ao lado de Filipenses, Efésios, Colossenses e Filemon.5- Qual o conteúdo das cartas pastorais (1 e 2 Timóteo e Tito)?(    ) Estas epístolas formam um conjunto literário, devocional e doutrinário, em que se observam o mesmo vocabulário, o mesmo estilo e os mesmos propósitos para qual foram escritas.(    ) Principalmente estas três epístolas possuíam ensino sobre os dons espirituais. (    ) A estrutura foi elaborada com o intuito de alcançar seus destinatários com solenes ensinos e advertências da parte de Deus. 6- De que maneira o conteúdo das cartas pastorais (1 e 2 Timóteo e Tito) pode ser resumido? Complete:a) ___________________________: Nas __________________________ aos destinatários, Paulo demonstra o seu cuidado para com os jovens obreiros;
b) __
b) __b) __b) __b) __________________________ ministeriais. Paulo demonstra que para ser Ministro do Evangelho, há requisitos a serem respeitados;
c) Alerta contra os _
c) Alerta contra os _c) Alerta contra os _c) Alerta contra os _c) Alerta contra os _________________________ mestres e as falsas _________________________ (1 Tm 4.1-5; Tt 1.10-16). _________________________ mestres e falsas __________________________ já existiam nas igrejas e infelizmente ainda existem em muitos lugares;
d) O cuidado com a "
d) O cuidado com a "d) O cuidado com a "d) O cuidado com a "d) O cuidado com a "___________________ doutrina"; a falta desse cuidado contribui para a disseminação das _________________________ e desvios de toda a espécie;
e) Comportamento e _
e) Comportamento e _e) Comportamento e _e) Comportamento e _e) Comportamento e __________________________ a diversos grupos. Paulo fala a respeito dos servos, __________________________, pais, filhos, jovens e outros grupos.II - PROPÓSITO E MENSAGEM7- Quais os propósitos das cartas pastorais de 1 Timóteo, 2 Timóteo e Tito?(    ) Orientar os líderes quanto à vida pessoal.(    ) Combater as heresias.(    ) Reconciliar Timóteo e Tito.
 8- Como Paulo orientou Timóteo em sua liderança, quanto à vida pessoal?(    ) Paulo exorta o jovem pastor Timóteo dizendo que ele deveria servir como exemplo de sabedoria intelectual contemporânea.(    ) Paulo exorta o jovem pastor Timóteo dizendo que ele deveria servir como exemplo em tudo.(    ) Para estar na liderança de uma igreja local é imprescindível ter uma vida exemplar.(    ) Também é necessário e importante que o líder saiba cuidar bem de sua vida familiar, a fim de que sua esposa e filhos tenham uma boa conduta. 9- Como deveria ser o combate às heresias, por parte de Timóteo e Tito, segundo Paulo e quais as principais heresias da época?(    ) Naquele tempo havia também o perigo da teologia da prosperidade, ou seja, uma filosofia herética, que defendia o enriquecimento do clero.(    ) Paulo sabia das diversas heresias que ameaçavam as igrejas locais.(    ) O apóstolo estava preocupado com os crentes que já haviam sido seduzidos pelo judaísmo.(    ) O judaísmo exigia o cumprimento de vários rituais e liturgias, contudo JESUS nos ensinou uma nova maneira de cumprir a Lei e de viver.(    ) JESUS fez uma Nova Aliança com a humanidade mediante seu sacrifício na cruz.(    ) Naquele tempo havia também o perigo do gnosticismo, ou seja, uma filosofia herética, que defendia o dualismo, segundo o qual a matéria é má e o espírito é bom.(    ) Por isso, negava a encarnação de CRISTO, pois o corpo, sendo matéria, contaminaria seu espírito.(    ) Paulo deixou Timóteo em Éfeso para amenizar os estragos dessa heresia, que se infiltrou no meio dos crentes, sob influência de Himeneu e Alexandre. III - UMA MENSAGEM PARA A IGREJA LOCAL E A LIDERANÇA DA ATUALIDADE10- Cite duas principais heresias da atualidade: Complete:1- O "evangelho" da ___________________________.2- _________________________ dos últimos dias (contradizentes e de torpe ganância). 11- Como confrontar a heresia chamada “Teologia da prosperidade” com a Palavra de Deus? Complete:Um dos mais eminentes defensores, desta falsa doutrina ensinou que "você é tanto uma _________________________ de Deus quanto JESUS CRISTO o foi. Você não tem um deus dentro de você. Você é um_______________________". Se o crente é "_____________________" pode tudo; tudo o que disser tornar-se-á realidade (confissão positiva); e terá o mundo e as riquezas que desejar, sem pobreza nem __________________________. À luz da Palavra de Deus, tal ensinamento equivale a _______________________, presunção e soberba. Sabemos que Deus _________________________ toda altivez (Pv 6.16-19) e que tal ensino é contrário as Escrituras Sagradas. Somos ________________________, temos falhas e sem Deus nada somos e nada podemos. O _____________________ e a majestade são dEle. 12- Como confrontar a “Apostasia dos últimos dias” com a Palavra de Deus? Complete:Paulo adverte aos crentes quanto ao que está acontecendo nos dias atuais, onde muitos estão abandonando a __fé __em CRISTO. Em Tito, ele faz advertência semelhante sobre falsos líderes, contradizentes e de torpe __________________________. Precisamos estar atentos para que os ensinos heréticos e a apostasia não alcancem a _______________________ do Senhor. O líder tem a responsabilidade de _______________________ pela sã doutrina. IV - MENSAGEM PARA A LIDERANÇA13- Quais as qualificações exigidas pela bíblia para a administração eclesiástica?(    ) Em 1 Timóteo 3.1-12 e em Tito 1.5-9, vemos um conjunto de qualificações daqueles que desejam louvar a DEUS na igreja.(    ) Em 1 Timóteo 3.1-12 e em Tito 1.5-9, vemos um conjunto de qualificações que aqueles que desejam liderar uma igreja necessitam ter.(    ) Infelizmente, em muitas igrejas, nem sempre estas recomendações são observadas. Porém, a liderança exige esforço.(    ) É necessário que o pastor tenha uma vida santa e irrepreensível.(    ) É preciso esforço e disciplina.(    ) Observe com atenção, algumas das qualificações necessárias ao líder: Irrepreensível, marido de uma só mulher, que tenha filhos fiéis, não soberbo, não iracundo, não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, dado à hospitalidade, amigo do bem, moderado, justo, santo, temperante, retendo firme a Palavra, capaz de admoestar com a sã doutrina, etc. 14- Como deve ser a ética ministerial?(    ) Na Primeira Epístola a Timóteo, Paulo diz que o ministro deve apresentar-se a Deus "aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar; que maneja bem a palavra da verdade".(    ) Na Segunda Epístola a Timóteo, Paulo diz que o ministro deve apresentar-se a Deus "aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar; que maneja bem a palavra da verdade".(    ) A verdadeira liderança se estabelece pelo exemplo, pelo testemunho, muito mais do que pela eloquência, pela oratória ou pela retórica.(    ) Não são os diplomas de um pastor que o qualificam como líder cristão, mas seu exemplo, sua ética, diante de Deus e da igreja local.(    ) Paulo tinha condições de ensinar liderança e ética, pois sua vida era exemplo para a igreja e para os de fora.(    ) O líder cristão não é o que "manda", mas o que serve. Não é o maior, e sim o menor. CONCLUSÃO15- Complete:As cartas pastorais contêm _______________________ e exortações quanto a assuntos práticos, mas também diretrizes gerais sobre __________________________, designação de obreiros, suas __________________________, as responsabilidades espirituais e morais do ministério; do __________________________ com Deus, com os líderes e das relações ___________________________. São riquíssimas fontes de ensino para __________________________ das igrejas locais nos tempos presentes.

RESPOSTAS DO QUESTIONÁRIO EM http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm 
Referências Bibliográficas (outras estão acima)Bíblia de estudo - Aplicação Pessoal.
Bíblia de Estudo Almeida. Revista e Atualizada. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2006.
Bíblia de Estudo Palavras-Chave Hebraico e Grego. Texto bíblico Almeida Revista e Corrigida.
Bíblia de Estudo Pentecostal. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida, com referências e algumas variantes. Revista e Corrigida, Edição de 1995, Flórida- EUA: CPAD, 1999.
BÍBLIA ILUMINA EM CD - BÍBLIA de Estudo NVI EM CD - BÍBLIA Thompson EM CD.
CPAD - http://www.cpad.com.br/ - Bíblias, CD'S, DVD'S, Livros e Revistas. BEP - Bíblia de Estudos Pentecostal.
VÍDEOS da EBD na TV, DE LIÇÃO INCLUSIVE - http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htmwww.ebdweb.com.brwww.escoladominical.netwww.gospelbook.net
www.portalebd.org.br/m